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Governo zera tarifa de 191 produtos após pressão industrial

Medida temporária de quatro meses atende empresas que dependem de máquinas sem equivalente nacional disponível no mercado interno
Trabalhadores com capacetes amarelos operando equipamentos industriais em fábrica com contêineres ao fundo indústria
O governo federal zerou nesta quinta-feira (26) a tarifa de importação de 191 bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção) e produtos de informática por quatro meses. A medida, anunciada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), reverte parcialmente os aumentos de Imposto de Importação aplicados em fevereiro a mais de 1,2 mil produtos eletrônicos.

O governo federal zerou nesta quinta-feira (26) a tarifa de importação de 191 bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção) e produtos de informática por quatro meses. A medida, anunciada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), reverte parcialmente os aumentos de Imposto de Importação aplicados em fevereiro a mais de 1,2 mil produtos eletrônicos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a decisão atende pedidos de empresas que alegaram ausência de produção nacional ou oferta insuficiente no mercado interno.

O vaivém das tarifas

Em fevereiro, o governo havia elevado as tarifas de importação para proteger a indústria nacional — uma estratégia comum em países que buscam fortalecer sua base produtiva. Porém, a medida gerou efeito colateral: empresas que dependem de máquinas e componentes sem equivalente nacional viram seus custos subirem. É como se uma padaria precisasse importar um forno especial da Alemanha, mas o governo aumentasse o imposto justamente quando não há fornecedor brasileiro desse equipamento. Resultado: o pão fica mais caro para o consumidor final.

Agora, após análise técnica, o governo reconheceu que 191 desses produtos não têm substituto nacional viável. A redução tarifária vale por quatro meses, período em que o governo avaliará se a medida deve se tornar permanente. Segundo o Mdic, o prazo para novas solicitações de empresas segue aberto até 30 de março, o que pode ampliar a lista de produtos beneficiados.

Comparação internacional

A oscilação nas tarifas de importação não é exclusividade brasileira. A China, por exemplo, utiliza tarifas seletivas como instrumento de política industrial há décadas, zerando impostos para tecnologias estratégicas enquanto protege setores considerados prioritários. A diferença é que Pequim mantém uma política mais estável ao longo do tempo, enquanto o Brasil tem alternado entre protecionismo e abertura de forma mais errática, segundo análises da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nos Estados Unidos, a administração Trump impôs tarifas sobre aço e alumínio em 2018, mas concedeu isenções para produtos sem produção doméstica — movimento semelhante ao que o Brasil faz agora. A lição internacional é clara: protecionismo funciona apenas quando há capacidade produtiva interna para substituir as importações.

Além da indústria

A Camex também zerou tarifas para medicamentos usados no tratamento de diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia, além de insumos agrícolas como fungicidas e inseticidas. No total, 970 produtos tiveram alíquota zerada na reunião desta quinta-feira, sendo 779 renovações de concessões anteriores e 191 reversões dos aumentos recentes. A medida inclui até lúpulo para fabricação de cerveja, mostrando o alcance da decisão em diferentes setores da economia.

Guerra comercial silenciosa

Paralelamente, a Camex aplicou tarifa antidumping (sobretaxa contra produtos vendidos abaixo do custo de produção) por cinco anos sobre etanolaminas da China e resinas de polietileno dos Estados Unidos e Canadá. O antidumping é uma ferramenta reconhecida pela OMC para proteger a indústria nacional quando há comprovação de concorrência desleal. No caso do polietileno — tipo de plástico usado em embalagens, brinquedos e produtos industriais —, a sobretaxa foi mantida nos níveis provisórios para não encarecer a cadeia produtiva brasileira.

📊 Número do Dia

191 — produtos tiveram a tarifa de importação zerada após empresas comprovarem ausência de produção nacional equivalente

Por que isso importa

Para as empresas, a medida reduz custos de produção ao baratear máquinas e insumos essenciais que não têm substituto nacional. Para o cidadão, a decisão pode conter pressões inflacionárias em setores como alimentos, medicamentos e produtos industriais, já que custos menores para as fábricas tendem a se refletir em preços mais baixos no varejo. Para o investidor, a oscilação nas tarifas revela a dificuldade do governo em equilibrar proteção à indústria nacional e competitividade da economia — um sinal de que a política comercial brasileira ainda carece de previsibilidade.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/governo-zera-tarifa-de-191-bens-de-capital-e-informatica-que-tiveram-aumento-de-imposto

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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