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1,45 milhão de famílias podem perder isenção na luz

Beneficiários da tarifa social têm até 31 de dezembro para atualizar dados no CadÚnico ou perderão desconto automático
Família reunida em mesa analisando documentos da Equatorial Energia, tarifa energia elétrica conta de luz isenção
O Grupo Equatorial, que controla distribuidoras de energia em sete estados, informou que cerca de 1,45 milhão de clientes de baixa renda precisam atualizar o cadastro para manter a isenção na conta de luz determinada pelo Programa Tarifa Social. Esse total representa 35% dos 4,15 milhões de beneficiários da tarifa social em áreas cobertas pela empresa.

Mais de 3,5 milhões de famílias brasileiras correm o risco de perder o desconto na conta de luz caso não atualizem seus dados cadastrais até 31 de dezembro deste ano. Segundo a Associação de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), esse contingente equivale a 27% do total de 13 milhões de famílias que recebem o benefício da tarifa social — um programa que garante isenção ou desconto na conta de luz para famílias de baixa renda.

O Grupo Equatorial, que atende sete estados (Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Amapá, Rio Grande do Sul e Goiás), identificou 1,45 milhão de clientes nessa situação, o que representa 35% de seus beneficiários. A necessidade de atualização é uma determinação da política pública Luz do Povo, do governo federal, regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Outras grandes distribuidoras também enfrentam o mesmo desafio: a Enel calcula mais de 650 mil famílias em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará; a Energisa estima quase 500 mil em 11 estados; e a Neoenergia contabiliza mais de 755 mil clientes em seis estados e no Distrito Federal.

Como funciona a tarifa social

A tarifa social é como um desconto automático na conta de luz para quem mais precisa: famílias com renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 810,50 em 2026) têm isenção total para consumo de até 80 quilowatt-hora (kWh) por mês. Para ter uma ideia, 80 kWh é o suficiente para manter uma geladeira, algumas lâmpadas e um ventilador ligados durante o mês em uma casa simples. Famílias com renda entre meio e um salário mínimo por pessoa recebem desconto para consumo até 120 kWh mensais. O benefício também cobre quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — um salário mínimo mensal pago a idosos vulneráveis ou pessoas com deficiência —, além de indígenas e quilombolas de baixa renda.

Para manter o benefício, o titular da conta de luz deve estar registrado no Cadastro Único (CadÚnico), o banco de dados do governo federal que reúne informações sobre famílias de baixa renda. O problema surge quando há inconsistências: o nome do titular da conta não coincide com o do CadÚnico, ou o endereço registrado está em município diferente daquele onde fica a unidade consumidora. As empresas iniciaram em fevereiro uma campanha de comunicação por WhatsApp, email, correio e visitas presenciais. As mensagens são personalizadas com o nome do titular e o número da conta, indicando qual inconsistência foi identificada.

Comparação internacional

Programas de subsídio tarifário para energia elétrica existem em diversos países emergentes, mas o Brasil se destaca pelo alcance: 13 milhões de famílias beneficiadas representam cerca de 20% dos domicílios do país. A título de comparação, na Índia, o maior programa de subsídio energético atende cerca de 40 milhões de famílias, mas em uma população cinco vezes maior que a brasileira. Na América Latina, países como Chile e Colômbia também adotam tarifas sociais, mas com critérios de elegibilidade mais restritos e menor cobertura proporcional. O desafio brasileiro está na gestão de um cadastro unificado que cruza dados de assistência social com contratos de energia — uma operação complexa em um país de dimensões continentais.

O que fazer para não perder o benefício

Quem recebeu notificação da distribuidora deve verificar qual é a inconsistência apontada e corrigi-la até 31 de dezembro. Se o problema for divergência de titularidade, é possível incluir o titular da conta no CadÚnico ou solicitar a troca de titularidade da conta de luz. Nos casos de inconsistência de município, o consumidor deve atualizar o CadÚnico na cidade onde está a unidade consumidora ou transferir o benefício para outra conta vinculada à família no município correto. As atualizações podem ser feitas em qualquer Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município de residência do titular da conta, sem custo.

📊 Número do Dia

3,5 milhões — de famílias brasileiras precisam atualizar cadastro para manter desconto na conta de luz até dezembro de 2026

Por que isso importa

Para as famílias de baixa renda, a perda da tarifa social pode significar um aumento de até 65% na conta de luz, comprometendo ainda mais o orçamento doméstico em um momento de inflação persistente. Para as distribuidoras, a regularização cadastral é essencial para garantir que o subsídio — pago por todos os consumidores via encargos setoriais — chegue efetivamente a quem tem direito, reduzindo distorções e fraudes. Para o governo, o sucesso da atualização cadastral testa a eficiência do CadÚnico como ferramenta de gestão de políticas sociais, em um país onde milhões de famílias dependem de programas assistenciais integrados.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/equatorial-convoca-145-milhao-para-garantir-isencao-na-conta-de-luz

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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