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sábado, 24 de outubro de 2026 Brasil

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BC limita ofertas de crédito, sem impedir novas contratações

O Banco Central anunciou em 23 de outubro de 2026 três medidas para conter abusos nas ofertas de crédito e ampliar a transparência antes da contratação. As regras mudam a abordagem das instituições, mas preservam a iniciativa do consumidor de buscar empréstimos.

BC anuncia regras para ofertas de crédito em 2027, com bloqueio de publicidade, painel de dívidas e consentimento no Pix. Veja o que muda para o consumidor.

O pacote chega a um mercado com sinais de dificuldade de pagamento. Segundo a Folha de S.Paulo, dados do Banco Central mostram que a inadimplência das famílias no crédito livre, cujas condições são negociadas entre bancos e clientes, chegou a 8% em agosto. É o maior patamar da série iniciada em março de 2011: de cada R$ 100 emprestados nesse segmento, R$ 8 tinham atraso superior a 90 dias.

Menos pressão comercial, escolha preservada

A partir de 31 de março de 2027, as instituições deverão oferecer um mecanismo claro para bloquear propagandas e ofertas ativas. Haverá proteção reforçada para consumidores com maior vulnerabilidade financeira ou risco de endividamento excessivo.

A identificação desse público deverá considerar renda disponível, fragilidade associada à idade e à escolaridade e uso persistente do crédito rotativo ou do parcelamento da fatura. Nesse último critério, a referência será a utilização em três ou mais faturas dentro de seis meses.

Para esse grupo, as ofertas dependerão de autorização prévia e deverão buscar melhorar as condições financeiras, como em renegociações ou migração para produtos mais vantajosos, sem novos recursos. O BC ressalta que o cliente continuará livre para pesquisar e contratar por iniciativa própria.

A distinção econômica está entre receber uma oferta e procurar crédito. Reduzir a pressão comercial pode evitar que uma abordagem estimule dívida adicional em um orçamento já apertado. Preservar a busca pelo consumidor mantém aberta a possibilidade de contratar quando ele identificar uma necessidade. O efeito dependerá da aplicação dos critérios de vulnerabilidade e do respeito às autorizações.

Enxergar a dívida antes de assumir outra

Em 1º de julho de 2027, passa a ser exigido um painel de dívidas, inicialmente restrito às operações na própria instituição. Antes de novas contratações, deverão ser apresentados custos simulados, impacto financeiro e alertas de risco. Dados de outras instituições serão incorporados posteriormente.

A visualização conjunta pode facilitar a comparação entre a nova prestação e os compromissos existentes. Sua utilidade inicial, porém, será limitada para quem deve em vários bancos: o painel ainda não reunirá todo esse endividamento.

Na mesma data, entram em vigor regras para ofertas de crédito no Pix, com consentimento prévio e intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira oferta. A autorização poderá ser retirada com efeito imediato.

O pacote atua sobre a forma de vender e apresentar o empréstimo, não sobre a renda disponível para pagá-lo. Se bloqueios e simulações ajudarem o consumidor a recusar uma dívida incompatível com seu orçamento, poderão reduzir riscos de novas contratações. Isso não equivale a resolver os atrasos já acumulados.

📊 Número do Dia

8% : Inadimplência das famílias no crédito livre em agosto, segundo dados do BC citados pela Folha: parcela dos valores emprestados com atraso superior a 90 dias.

Por que isso importa

As regras podem reduzir a pressão para contratar e facilitar a avaliação de novas parcelas. O benefício dependerá da aplicação das proteções e da capacidade de mostrar ao consumidor o peso dos compromissos já assumidos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/bc-anuncia-medidas-para-coibir-abusos-nas-ofertas-de-credito-que-favorecam-superendividamento.shtml