Pular para o conteúdo
terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Balanços: alta projetada do lucro convive com juros elevados

A temporada de balanços do terceiro trimestre começa nesta terça-feira (20), com expectativa de resultados fracos ou mistos para a maioria das empresas brasileiras, segundo analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. Juros ainda elevados e desaceleração econômica devem limitar o desempenho, apesar da alta projetada no lucro de grandes companhias.

Balanços do terceiro trimestre de 2026 devem mostrar pressão dos juros. Alta projetada do lucro das gigantes não indica recuperação generalizada.

O contraste aparece no levantamento da Folha de S.Paulo: o lucro líquido conjunto das dez empresas com maior peso no Ibovespa, excluindo a Itaúsa, deve crescer 16% no terceiro trimestre de 2026 ante igual período de 2025. A projeção reúne dados da consultoria Elos Ayta e estimativas coletadas pela Bloomberg. Frente ao segundo trimestre, porém, a expectativa é de queda de 10%.

O prejuízo anterior favorece a comparação

Parte do avanço anual tem uma explicação contábil. No terceiro trimestre de 2025, a Axia Energia registrou prejuízo de R$ 5,45 bilhões, relacionado ao reconhecimento de despesas e perdas com vendas de ativos. Esse resultado negativo reduz a referência usada na comparação e facilita o crescimento percentual no período seguinte.

Sem aquele efeito, o aumento projetado para o lucro do grupo seria de 5%, segundo o cálculo apresentado pela Folha. Há expectativa de crescimento, mas sua intensidade depende da base de comparação. Além disso, o recorte das maiores empresas do índice não representa, por si só, o conjunto das companhias brasileiras.

O corte de juros demora a chegar ao caixa

A taxa básica de juros, a Selic, caiu de 14% para 13,75% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Os especialistas consultados pela reportagem avaliam que a redução ainda não deve aliviar imediatamente os balanços. Com a taxa acima de 13%, o custo das dívidas e as despesas financeiras continuam sob pressão.

O mecanismo afeta especialmente empresas voltadas ao mercado doméstico: juros elevados encarecem o financiamento e podem limitar compras a crédito. Se as vendas perdem força enquanto as despesas financeiras permanecem altas, sobra menos receita para se transformar em lucro. No varejo de produtos não essenciais, o consumidor também tem mais espaço para adiar compras.

Há evidência dessa dificuldade no dado citado pela reportagem: as vendas do varejo ampliado cresceram 0,1% em agosto ante agosto de 2025, abaixo dos 2,3% projetados pelo Itaú BBA.

Para avaliar a temporada, portanto, o crescimento agregado precisa ser separado de suas causas. Se o avanço ficar concentrado em poucas gigantes e no efeito contábil da comparação, ele poderá coexistir com empresas domésticas ainda comprimidas entre vendas fracas e dívida cara, sem indicar uma recuperação disseminada dos negócios.

📊 Número do Dia

16% : Alta projetada do lucro líquido conjunto das dez maiores empresas do Ibovespa, excluindo a Itaúsa, no terceiro trimestre de 2026 ante igual período de 2025.

Por que isso importa

O crescimento previsto do lucro das maiores companhias pode conviver com dificuldades no mercado doméstico. Juros elevados pressionam despesas financeiras e podem conter compras a crédito, limitando o alívio para empresas e consumidores.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/juros-altos-e-economia-mais-fraca-pressionam-balancos-do-3o-trimestre.shtml