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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Renda fixa: o risco por trás do ponto percentual

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 19 de outubro de 2026, Michael Viriato examina por que uma remuneração maior na renda fixa pode não compensar os riscos adicionais. A comparação é hipotética, não uma oferta de investimentos.

Comparação entre taxas de 12% e 13% ao ano mostra como risco de crédito e prazo podem alterar o resultado esperado de um investimento em renda fixa.

A diferença entre receber 12% e 13% ao ano parece simples até que se examinem as condições de pagamento. No exemplo apresentado por Michael Viriato, na Folha de S.Paulo, R$ 100 mil aplicados por um ano renderiam, respectivamente, R$ 12 mil e R$ 13 mil brutos. Os R$ 1.000 extras só seriam recebidos se ambos os investimentos pagassem integralmente.

A taxa remunera uma obrigação, não uma certeza

Esse acréscimo de um ponto percentual é o centro da comparação econômica: quanto o investidor receberia a mais e o que precisaria aceitar em troca? Uma taxa superior pode compensar uma possibilidade maior de perda. Não demonstra, por si só, que o investimento seja melhor ou pior.

Viriato usa como hipótese uma debênture, título pelo qual uma empresa toma dinheiro emprestado, emitida por uma companhia com dificuldades financeiras. Nesse caso, a remuneração adicional estaria associada ao risco de crédito: a possibilidade de o emissor não devolver parte ou todo o valor devido. O ganho extra é limitado pela taxa contratada; a perda possível pode alcançar o dinheiro aplicado.

O prazo muda o significado dos 13%

Mesmo quando o pagamento ocorre conforme contratado, a taxa anunciada pode não descrever o resultado na data em que o dinheiro será necessário. A coluna compara um objetivo de cinco anos com um título que vence em dez. Para usar os recursos antes do vencimento, seria necessário vender o papel.

Se os juros subirem, o preço de um título prefixado, cuja taxa é definida na contratação, pode cair. A venda antecipada pode, assim, produzir um resultado inferior ao esperado. Se os juros caírem, o movimento pode favorecer o vendedor. A taxa contratada para o vencimento não garante o preço de saída antes dele.

O desencontro também funciona no sentido inverso. Um título de dois anos não assegura sua remuneração por cinco: depois do vencimento, o dinheiro precisaria ser reaplicado a taxas ainda desconhecidas. São situações distintas, mas ambas mostram por que comparar percentuais sem comparar prazos pode distorcer a avaliação.

Para quem poupa em reais, portanto, o ponto decisivo não é simplesmente receber menos ou buscar mais. Uma taxa maior representa vantagem econômica se o ganho adicional compensar os riscos e as limitações até a data de uso do dinheiro. Sem essa compatibilidade, os 13% podem ser apenas uma promessa para um prazo diferente daquele que importa ao poupador.

📊 Número do Dia

R$ 1.000 : Rendimento bruto adicional em um ano sobre R$ 100 mil, na comparação hipotética entre taxas de 13% e 12% ao ano, supondo pagamento integral.

Por que isso importa

Comparar apenas taxas pode esconder diferenças na capacidade de pagamento do emissor e no prazo de acesso ao dinheiro. Essas condições determinam se a remuneração prometida se transforma no valor esperado pelo poupador.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/10/por-que-ganhar-menos-na-renda-fixa-pode-ser-melhor.shtml