Os fundos de renda fixa explicam boa parte desse salto: seu patrimônio avançou de R$ 9,2 bilhões para R$ 68 bilhões no período. Em agosto, superaram os ETFs de renda variável. A liderança, porém, não se consolidou: em setembro, os de renda variável voltaram à frente, com R$ 68,7 bilhões.
A disputa passa pelo custo de investir
ETFs são fundos com cotas negociadas na Bolsa que, em geral, acompanham um índice. Uma única cota permite acessar uma carteira de ativos, sem comprar cada componente separadamente. Estar na Bolsa, portanto, não significa investir necessariamente em ações: a carteira também pode reunir títulos de renda fixa.
Essa estrutura ajuda a entender a concorrência com os fundos tradicionais. Segundo Danilo Jusan, reitor do Ibmec-RJ, ouvido pela Folha, os ETFs geralmente cobram taxas de administração menores. Já os fundos tradicionais podem cobrar também pelo desempenho, além da administração.
Uma taxa menor preserva uma parcela maior do rendimento, se as demais condições forem equivalentes. Para um fundo de gestão ativa, no qual o gestor escolhe os investimentos conforme sua estratégia, isso aumenta a exigência: seu desempenho precisa compensar o custo adicional. Não basta comparar o retorno antes das cobranças; importa quanto chega ao cotista.
O benefício, contudo, não torna os produtos intercambiáveis. Índices diferentes expõem o investidor a riscos diferentes. Jusan ressalta que a diversificação depende da composição da carteira e que a concentração da Bolsa brasileira em menos empresas limita essa vantagem. Comprar vários ativos por uma cota não elimina o risco de perdas.
Crescimento rápido, participação ainda pequena
A expansão alcançou também o número de contas com ETFs: de 1,04 milhão em janeiro de 2025 para 1,81 milhão em agosto de 2026, alta de 74%. Contas não equivalem necessariamente a pessoas distintas, mas o dado mostra uma ampliação do acesso registrado.
Enquanto o patrimônio dos ETFs cresceu 172%, o da indústria de fundos avançou 21% no mesmo intervalo. Ainda assim, os R$ 136,7 bilhões dos ETFs eram pouco mais de 1% dos R$ 11,53 trilhões da indústria em agosto.
O tamanho ainda reduzido limita o alcance dessa concorrência. Se a expansão ampliar a comparação entre carteiras de risco semelhante, os custos podem ganhar peso na escolha dos investidores, pressionando os gestores a demonstrar o valor do serviço que cobram.
📊 Número do Dia
172% : Alta do patrimônio dos ETFs no Brasil entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, de R$ 50,3 bilhões para R$ 136,7 bilhões, segundo dados da Anbima citados pela Folha.
Por que isso importa
A expansão dos ETFs amplia o espaço de produtos que geralmente cobram taxas menores. Isso pode intensificar a concorrência, exigindo que fundos mais caros entreguem resultados que compensem a diferença de custos e riscos.
