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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Boleto falso: falha bancária define quem assume o prejuízo

Vítimas de boletos falsos podem obter ressarcimento quando há vínculo entre a fraude e uma falha do serviço bancário. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 19 de outubro de 2026 mostra como essa distinção orienta decisões judiciais.

Boleto falso pode gerar ressarcimento quando há falha bancária. Veja como decisões judiciais distribuem o prejuízo e podem incentivar a prevenção de fraudes.

O prejuízo de um boleto falso pode ir além do dinheiro enviado aos criminosos: a dívida com o credor legítimo pode continuar em aberto. A disputa judicial define se essa perda permanece com o consumidor ou se a instituição financeira deve responder por uma falha relacionada ao golpe.

Segundo a Folha de S.Paulo, o Observatório Rosenbaum de Golpes e Fraudes Bancárias, mantido pelo escritório Rosenbaum Advogados, identificou 1.041 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre boletos falsos, publicadas entre junho de 2025 e agosto de 2026. Entre os julgamentos com resultado identificado, 50,3% concederam ressarcimento total ou parcial. Os demais rejeitaram os pedidos. O percentual exclui acordos e não representa uma probabilidade de vitória para qualquer vítima.

A ligação entre o golpe e o banco

O Código de Defesa do Consumidor prevê responsabilidade por defeitos na prestação de serviços. Para os bancos, a orientação do Superior Tribunal de Justiça abrange fraudes ligadas aos riscos próprios da atividade bancária. A existência do golpe, sozinha, não determina o dever de ressarcir.

A reportagem apresenta dois casos que esclarecem a diferença. Em outubro de 2023, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a eficácia de um pagamento fraudulento porque os criminosos conheciam informações da operação e uma solicitação de quitação enviada pela cliente ao banco. Em outro julgamento, de junho daquele ano, afastou a responsabilidade bancária por não encontrar vínculo entre a fraude, enviada por email estranho à instituição, e uma falha do serviço.

Responsabilidade também cria incentivos

Quando uma falha comprovada gera obrigação de reparar o dano, a segurança passa a ter uma consequência financeira direta para a instituição. Esse custo pode reforçar o incentivo a proteger informações, verificar contas e monitorar operações suspeitas. Isso não demonstra, por si só, que as decisões já tenham reduzido fraudes.

A Federação Brasileira de Bancos defende a análise das circunstâncias e provas de cada caso, rejeita a responsabilização automática e afirma que o setor investe continuamente em prevenção. A distinção importa: reparar um defeito do serviço não equivale a tornar o banco garantidor de qualquer golpe.

Para o consumidor, preservar boletos, comprovantes, mensagens e protocolos ajuda a demonstrar essa ligação. Para o sistema de pagamentos, o efeito econômico depende de atribuir o custo à falha demonstrada: se a responsabilidade alcançar quem podia evitá-la, a reparação também pode estimular a prevenção.

📊 Número do Dia

50,3% : Parcela dos julgamentos com resultado identificado que concedeu ressarcimento total ou parcial em levantamento sobre boletos falsos no TJ-SP, com decisões publicadas entre junho de 2025 e agosto de 2026, sem incluir acordos.

Por que isso importa

A responsabilização por falhas bancárias pode evitar que o consumidor absorva o prejuízo e reforçar incentivos à segurança. O ressarcimento, porém, depende da ligação demonstrada entre o golpe e o serviço prestado.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/vitima-de-golpe-falso-boleto-pode-cobrar-prejuizo-do-banco-entenda-quando.shtml