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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Déficit dos EUA cresce com pressão do custo da dívida

O déficit dos Estados Unidos chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2026, aumento de US$ 217 bilhões. Segundo dados do Tesouro divulgados em 16 de outubro e noticiados pela Folha de S.Paulo, o resultado foi pressionado pelo serviço da dívida e por reembolsos de tarifas.

Déficit dos EUA chega a US$ 1,99 trilhão em 2026. Custo da dívida pressiona o orçamento e pode afetar as condições de financiamento externo do Brasil.

A arrecadação americana bateu recorde, mas isso não impediu o aumento do déficit. A receita total alcançou US$ 5,4 trilhões no ano fiscal de 2026, avanço de 3%, enquanto as despesas chegaram a US$ 7,4 trilhões, alta de 6%. O desequilíbrio cresceu porque os gastos avançaram mais rapidamente que as entradas, não porque a arrecadação total tenha caído.

Conforme reportagem da Reuters publicada pela Folha de S.Paulo, foi o maior déficit desde o ano fiscal de 2021. O resultado representa a diferença entre receitas e despesas durante o período. Já a dívida pública, que supera US$ 40 trilhões, é o estoque de obrigações acumuladas. Separar os dois conceitos ajuda a entender por que o custo dessa dívida pesa no orçamento.

A dívida pressiona o espaço para outras despesas

Os gastos com o serviço da dívida, isto é, os encargos associados a essas obrigações, atingiram US$ 1,36 trilhão, aumento de US$ 144 bilhões, ou 12%. Essa categoria ficou atrás apenas da Previdência Social e da soma dos programas de saúde Medicare e Medicaid.

Quando o custo da dívida cresce, uma parcela maior da receita fica comprometida com obrigações financeiras. Para evitar que isso amplie o déficit, o governo precisa compensar a pressão com mais receitas ou menor gasto em outras áreas. Sem compensação, a necessidade de financiamento permanece e pode alimentar novas despesas financeiras.

Também houve pressão pelo lado das tarifas. Uma decisão da Suprema Corte que anulou grande parte das tarifas impostas por Donald Trump provocou US$ 145 bilhões em reembolsos. A receita líquida desses tributos caiu 11%, para cerca de US$ 173 bilhões. Isso contribuiu para o déficit, embora a arrecadação total tenha crescido.

O canal de transmissão para o Brasil

O elo econômico com o Brasil passa pelas condições internacionais de financiamento. Se a necessidade de financiar o Tesouro americano contribuir para elevar os rendimentos dos títulos dos EUA, esses papéis podem atrair recursos que, de outra forma, buscariam outros mercados. Para empresas e governo brasileiros, isso pode significar maior custo para captar dinheiro no exterior.

Esse efeito não está demonstrado nos dados apresentados. A consequência depende de como investidores absorvem a dívida e de quais juros exigem. O ponto concreto é que arrecadação recorde não conteve o desequilíbrio americano: enquanto despesas e encargos avançarem mais depressa, o financiamento continuará sob pressão, com possível repercussão além dos Estados Unidos.

📊 Número do Dia

US$ 1,36 trilhão : Gastos dos Estados Unidos com o serviço da dívida no ano fiscal de 2026, alta de 12% em relação ao período anterior.

Por que isso importa

O aumento dos encargos da dívida restringe o espaço no orçamento americano. Se a necessidade de financiamento pressionar os juros dos títulos dos EUA, o custo de captação externa de empresas e governo brasileiros também pode subir.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/deficit-fiscal-dos-eua-sobe-a-us-199-trilhoes-o-maior-em-5-anos.shtml