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sábado, 24 de outubro de 2026 Brasil

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Segundo turno coloca a relação comercial com os EUA em jogo

Em reportagem publicada em 9 de outubro de 2026, a Folha de S.Paulo afirma que o segundo turno da eleição presidencial coloca em disputa duas visões drasticamente diferentes para as relações entre Brasil e Estados Unidos, e que especialistas ouvidos veem riscos nas estratégias tanto do senador Flávio Bolsonaro (PL) quanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Folha aponta visões opostas de Flávio Bolsonaro e Lula para o comércio com os EUA no segundo turno, com tarifas e minerais críticos no centro do debate.

A reportagem assinada por Luciana Magalhães e Brendan O’Boyle não descreve um fato consumado, mas um ponto de bifurcação. Segundo a Folha, os dois candidatos que disputam o segundo turno sustentam estratégias opostas para lidar com os Estados Unidos, e o material destaca dois temas no centro dessa disputa: tarifas e minerais críticos. A avaliação dos especialistas citados é de que nenhuma das duas rotas é isenta de risco.

Por que a política comercial vira variável eleitoral

Comércio exterior é uma política pública como outra qualquer: cria vencedores e perdedores dentro do próprio país. Uma tarifa de importação é, na prática, um imposto pago por quem compra o produto estrangeiro. Ela protege o produtor doméstico que compete com aquele bem e penaliza o consumidor e a indústria que usa o insumo importado. Quando um parceiro comercial impõe tarifas, o efeito se inverte: o exportador brasileiro perde competitividade no mercado do outro país, e a renda que deixa de entrar não é compensada por decreto.

Minerais críticos: ativo estratégico, não apenas commodity

A menção a minerais críticos muda a natureza da negociação. São insumos usados em baterias, eletrônicos e equipamentos de defesa, com cadeias de fornecimento concentradas em poucos países. Para quem compra, trata-se de segurança de abastecimento. Para quem vende, é poder de barganha, mas também a tentação clássica de transformar riqueza mineral em renda fácil, em vez de agregar valor localmente. A Folha não detalha, no material disponível, qual arranjo cada candidato propõe para esse tema, e não cabe presumir.

O custo econômico da incerteza

Há um efeito que antecede qualquer medida concreta: a própria indefinição tem preço. Empresas que exportam para os Estados Unidos, importam insumos de lá ou planejam investimentos em mineração trabalham com horizontes de anos. Quando a regra do jogo depende do resultado de uma eleição, decisões de capital tendem a ser adiadas. Isso não aparece em estatística imediata, mas aparece depois, na forma de investimento que não foi feito.

O que ainda não está definido

O material disponível estabelece a existência do debate, não seu desfecho. Não há, no conteúdo recebido, detalhamento das medidas específicas de cada candidatura, nem quantificação dos fluxos comerciais envolvidos. Tampouco há indicação de que qualquer tarifa tenha sido criada, alterada ou negociada. Trata-se de plataformas em disputa, e plataforma não é política implementada. A distinção importa: candidatos prometem, governos executam, e o espaço entre as duas coisas costuma ser largo. Para empresas e trabalhadores dos setores expostos ao comércio bilateral, a pergunta relevante é menos quem vence e mais que grau de previsibilidade o vencedor conseguirá oferecer.

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Por que isso importa

A relação comercial com os Estados Unidos afeta diretamente exportadores, importadores de insumos e projetos de mineração. Enquanto a definição não vem, o cálculo de risco das empresas expostas a esse fluxo permanece em aberto, o que tende a adiar decisões de investimento de longo prazo.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/eleicao-pode-remodelar-comercio-entre-brasil-e-eua-com-foco-em-tarifas-e-minerais-criticos.shtml