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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Cláusula de barreira reduz fragmentação e redireciona dinheiro público

Em editorial publicado em 8 de outubro de 2026, O Globo afirma que a cláusula de barreira, combinada à proibição de coligações nas eleições proporcionais, continua a reduzir a fragmentação do Congresso e a dar mais coerência programática ao sistema partidário.

Editorial de O Globo diz que cláusula de barreira segue reduzindo a fragmentação do Congresso. Entenda o efeito sobre gasto público e custo de aprovar reformas.

O editorial de O Globo trata de um tema que costuma ser classificado como estritamente político, mas que tem consequências econômicas diretas: quem recebe dinheiro público para funcionar e como o Congresso se organiza para decidir.

Segundo a publicação, a exigência de que os partidos alcancem uma proporção mínima de votos para acessar o fundo partidário e a propaganda eleitoral gratuita, somada ao fim das coligações nas eleições proporcionais, segue reduzindo a fragmentação do Congresso. O texto registra que ninguém está impedido de fundar uma legenda, registrá-la e eleger representantes. O que fica restrito aos partidos com alguma base eleitoral é o uso de recursos públicos para custear seu funcionamento. O editorial chama esse desenho de cláusula de barreira ou cláusula de desempenho e o descreve como coerente com regras vigentes em democracias mais sólidas.

O mecanismo: incentivo, não proibição

A distinção é relevante. Barreira de entrada no mercado político e barreira de acesso a subsídio são coisas diferentes. No primeiro caso, o Estado limitaria a concorrência. No segundo, ele condiciona a transferência de recursos públicos a um teste de desempenho verificável: votos obtidos. Do ponto de vista econômico, trata-se de mudar o incentivo marginal. Quando qualquer legenda registrada acessa financiamento, o retorno esperado de criar um partido pequeno aumenta, mesmo sem apoio eleitoral correspondente. Quando o acesso exige votos, o cálculo se altera.

Por que isso aparece na conta fiscal

Fundo partidário é despesa pública. Propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão também tem custo, ainda que indireto, por envolver renúncia de receita e uso de espaço regulado. Concentrar esses recursos em legendas com base eleitoral comprovada é, em tese, um critério de eficiência alocativa: paga-se por representação efetiva, não por existência formal.

Há um segundo canal, menos óbvio. Um Congresso menos fragmentado tende a baratear a formação de maiorias. Quanto mais legendas precisam ser acomodadas para aprovar uma reforma tributária, uma regra fiscal ou uma mudança regulatória, maior o custo de negociação, medido em concessões orçamentárias, emendas e cargos. Reduzir o número de interlocutores relevantes pode diminuir esse custo. Pode, não necessariamente diminui: concentração partidária também pode elevar o poder de barganha de poucas bancadas grandes.

O que o material permite afirmar

O editorial apresenta uma avaliação de tendência, não um balanço quantitativo. O material recebido não traz número de partidos, percentuais de votos exigidos nem valores do fundo partidário. A leitura de que o sistema está mais coerente programaticamente é a posição sustentada por O Globo, e deve ser lida como tal. Resta aberta a pergunta mais difícil: menos partidos produzem decisões economicamente melhores, ou apenas mais rápidas?

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Por que isso importa

O desenho das regras partidárias define quem recebe dinheiro público e quantos atores precisam ser acomodados para aprovar qualquer agenda econômica. Menos fragmentação pode reduzir o custo de formar maiorias no Congresso, variável que afeta diretamente a tramitação de reformas fiscais, tributárias e regulatórias.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2026/10/clausula-de-barreira-continua-a-depurar-quadro-partidario.ghtml