O Banco do Brasil iniciou uma nova rodada de comercialização de ativos imobiliários, batizada de Aceita BB. Conforme o material publicado pelo jornal A TARDE, a campanha começa com 75 imóveis distribuídos por diversas regiões do país e prevê alcançar até 800 propriedades até o final do ano. As ofertas ficam concentradas no portal SeuimóvelBB, plataforma digital do próprio banco.
O que muda no formato da venda
A principal novidade descrita é o mecanismo de precificação. Segundo a instituição financeira, os interessados podem enviar propostas diretamente pelo site, sem exigência de valor mínimo de lance fixo. As ofertas ficam sujeitas a análise e aprovação interna do banco, que avalia viabilidade financeira e critérios cadastrais. Entre os ativos listados há apartamentos e casas em municípios do entorno do Distrito Federal, como Cidade Ocidental (GO) e Águas Lindas de Goiás (GO), com valores de referência iniciais na faixa de R$ 32 mil a R$ 35 mil.
Por que um banco vende imóveis
Bancos não acumulam imóveis por vocação. Eles chegam a essa carteira sobretudo por meio de garantias executadas e ativos recebidos em liquidação de dívidas. Esses bens têm custo: manutenção, tributos, segurança jurídica e, principalmente, capital imobilizado que poderia estar alocado em crédito, atividade que gera receita de juros. Quanto mais tempo um imóvel permanece no balanço, maior o custo de oportunidade. Daí o incentivo para desovar o estoque com rapidez.
O modelo sem lance mínimo fixo é, na prática, uma tentativa de descoberta de preço. Em vez de o vendedor fixar um piso que pode afastar compradores, ele transfere ao mercado a tarefa de revelar quanto aquele ativo vale, preservando o direito de recusar propostas consideradas baixas. É um desenho que amplia a liquidez potencial, mas mantém assimetria: o comprador revela seu valor de reserva, o banco não.
O que o número de 7 mil imóveis diz e o que não diz
O Banco do Brasil informou que, desde o lançamento do portal em 2021, a ferramenta já comercializou mais de 7 mil imóveis, movimentando cerca de R$ 1,6 bilhão. O dado indica escala relevante de desmobilização ao longo de cinco anos, mas é uma informação prestada pela própria instituição e não detalha, no material disponível, prazos médios, deságios ou composição regional da carteira.
Para o comprador, o preço anunciado não é o custo final. A descrição menciona sinal mínimo de 5%, comissão do parceiro leiloeiro ou corretor, geralmente de 5%, além de escritura e registro em cartório. Imóveis dessa natureza também podem estar ocupados, informação que consta das páginas individuais. Preço baixo e custo baixo não são sinônimos.
📊 Número do Dia
R$ 1,6 bilhão , Volume de negócios movimentado pelo portal SeuimóvelBB desde 2021, com mais de 7 mil imóveis comercializados, segundo informação do próprio Banco do Brasil.
Por que isso importa
A venda acelerada de imóveis retomados libera capital imobilizado no balanço de um grande banco, recurso que pode voltar à atividade de crédito. Para o comprador, abre acesso a ativos de baixo valor de entrada, desde que avalie corretamente custos adicionais como comissão, sinal, cartório e eventual ocupação do imóvel.
Fonte original: https://atarde.com.br/imobiliario/banco-do-brasil-vende-imoveis-a-partir-de-r-32-mil-1404948
