O instituto Datafolha divulgou nesta quinta-feira, segundo O Globo, levantamento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48% das intenções de voto contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL) em simulação de segundo turno. Com margem de erro de dois pontos percentuais, trata-se de empate técnico. Na rodada anterior, divulgada uma semana antes, os números eram 47% e 45%.
O que a pesquisa efetivamente mostra
Cenários testados. Além de Flávio Bolsonaro, o instituto simulou disputas contra Ronaldo Caiado (PSD), com 48% a 42%; Romeu Zema (Novo), 49% a 40%; Renan Santos (Missão), 48% a 39%; e Augusto Cury (Avante), 47% a 42%. No primeiro turno, Lula marca 42% e Flávio, 38%, com ambos oscilando dois pontos para cima em relação à rodada anterior. Foram entrevistados 2.506 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro, com nível de confiança de 95%, em pesquisa encomendada pelo grupo Globo e pela Folha de S.Paulo e registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-08039/2026.
Por que uma pesquisa interessa à economia
Preço do risco político. Pesquisas eleitorais não movem a economia real diretamente, mas funcionam como insumo de precificação. Investidores, empresas e bancos tomam decisões hoje com base em expectativas sobre política fiscal, regulação e abertura comercial amanhã. Quanto mais incerto o desfecho, maior o prêmio de risco embutido em contratos de longo prazo, em decisões de investimento produtivo e na formação de preços de ativos. Um empate técnico, por definição estatística, não permite apontar favorito: significa que a diferença observada é menor do que o erro amostral do próprio método.
O que não se pode concluir
Intenção não é resultado. Uma pesquisa mede intenção declarada em uma janela específica, aqui entre 28 de setembro e 1º de outubro. Variações de um ou dois pontos entre rodadas sucessivas, quando inferiores à margem de erro, não constituem tendência comprovada. Associar o movimento desses números a qualquer evento específico, inclusive à controvérsia sobre um projeto arquivado há quase duas décadas relativo ao título de padroeira do Brasil citada pela reportagem, exigiria evidência que o material não fornece.
O que observar
Convergência programática ausente. O material não detalha propostas econômicas dos candidatos, e portanto não é possível avaliar aqui qual plataforma oferece maior previsibilidade fiscal, monetária ou regulatória. O que o levantamento sinaliza é apenas a dimensão da incerteza: com dois cenários plausíveis dentro da margem de erro, agentes econômicos operam com dois conjuntos possíveis de regras futuras. Essa ambiguidade tende a encarecer decisões que dependem de horizonte longo, do crédito corporativo ao investimento em infraestrutura.
📊 Número do Dia
48% x 45% , Intenções de voto de Lula e Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno no Datafolha divulgado em 1º de outubro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e 2.506 entrevistados entre 28 de setembro e 1º de outubro.
Por que isso importa
Um empate técnico a três dias do primeiro turno significa que o resultado eleitoral permanece estatisticamente indefinido. Para quem precisa decidir hoje sobre investimento, contratação ou crédito de longo prazo, isso equivale a operar com dois cenários regulatórios e fiscais igualmente possíveis, o que tende a elevar o prêmio de risco exigido.
