O material publicado pelo O Globo, em seção patrocinada, apresenta dois conjuntos de dados sobre o turismo interno. O primeiro vem da pesquisa State of Search Brasil, realizada pela Opinion Box em parceria com a Hedgehog Digital e divulgada pela Panrotas: o interesse do brasileiro por viagens domésticas alcançou 42% em 2025, o maior patamar da série iniciada em 2022. A trajetória foi de 37% em 2022, queda para 34% em 2023, alta para 38% em 2024 e 42% em 2025, segundo o mesmo levantamento, que descreve esse último salto como o maior avanço entre dois anos consecutivos do período.
Do interesse declarado à receita contabilizada
Interesse não é compra. Uma pesquisa de intenção mede disposição, não transação. Por isso o segundo dado é o mais consistente: de acordo com o Anuário Braztoa 2026, as viagens nacionais movimentaram R$ 18,66 bilhões e responderam por 77,9% de toda a receita das operadoras de turismo em 2025, com 7,1 milhões de embarques domésticos e mais de 19 milhões de diárias vendidas no ano. Aqui já se trata de receita registrada, e não de declaração de preferência.
Por que a composição da receita importa
Quando quase quatro de cada cinco reais faturados pelas operadoras vêm de viagens dentro do país, muda a natureza da competição. O turismo internacional concorre com o doméstico por um mesmo orçamento familiar, e a escolha entre os dois é sensível a fatores como câmbio, preço de passagens, custo de hospedagem e renda disponível. O material não informa quais desses fatores explicam a mudança, e seria impróprio atribuir causa a partir apenas da sequência dos números.
O que a estrutura de receita sugere é uma disputa mais acirrada entre destinos brasileiros. Se o hóspede compara uma capital litorânea com a serra gaúcha ou com outro ponto do Nordeste, a diferenciação deixa de ser geográfica e passa a ser de proposta, serviço e preço. Essa é exatamente a lógica de um mercado competitivo: margem preservada por quem entrega valor percebido, e não por barreira de acesso.
Cautela com a origem do material
Vale registrar que o texto publicado pelo O Globo é conteúdo patrocinado e que as avaliações interpretativas sobre mudança de percepção do consumidor e sobre estratégia hoteleira são atribuídas a executivos de um mesmo hotel, o Esmeralda Praia Hotel, em Natal. São leituras de mercado de agentes interessados, não conclusões independentes. Os números da Opinion Box e da Braztoa, por sua vez, têm origem identificada e sustentam o essencial: o turismo interno concentra hoje a maior parte do faturamento das operadoras brasileiras.
Permanece em aberto se o patamar de 2025 se sustenta, se a alta reflete preferência genuína ou restrição orçamentária para viagens ao exterior, e como o setor distribuirá investimento entre destinos consolidados e emergentes.
📊 Número do Dia
77,9% , Participação das viagens nacionais na receita total das operadoras de turismo em 2025, equivalente a R$ 18,66 bilhões, segundo o Anuário Braztoa 2026.
Por que isso importa
A concentração da receita das operadoras no mercado interno redefine onde o setor de turismo investe e como compete. Destinos brasileiros deixam de disputar apenas com o exterior e passam a disputar entre si, o que tende a pressionar preço e qualidade de serviço, com efeito direto sobre emprego e renda em cadeias locais de hotelaria, transporte e gastronomia.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/09/30/interesse-por-viagem-nacional-e-o-maior-em-quatro-anos-2.ghtml
