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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Meacao, heranca e o custo de nao planejar a sucessao

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 30 de setembro de 2026, o colunista Michael Viriato parte de um exemplo hipotetico: casais em comunhao parcial de bens, patrimonio de R$ 5 milhoes e dois filhos. Quando o marido morre, R$ 2,5 milhoes ja sao da esposa a titulo de meacao, e apenas a outra metade precisa ser transmitida aos herdeiros.

Coluna da Folha mostra que, em patrimonio de R$ 5 milhoes na comunhao parcial, metade e meacao do conjuge e so R$ 2,5 milhoes vao a partilha.

O exemplo e simples e, justamente por isso, pedagogico. O texto publicado no blog De Grao em Grao, da Folha de S.Paulo, descreve tres casais em regime de comunhao parcial de bens, com patrimonio de R$ 5 milhoes construido durante o casamento e dois filhos. Morto o marido, metade do patrimonio nao entra em inventario como heranca: ela ja era da esposa.

Meacao nao e heranca

A distincao importa. Na comunhao parcial, os bens adquiridos ao longo do casamento pertencem igualmente aos dois conjuges. Quando um deles morre, a metade do sobrevivente nao muda de dono: ela permanece onde sempre esteve. Isso e a meacao. Apenas a outra metade, no exemplo da coluna R$ 2,5 milhoes, constitui o acervo a ser transmitido aos herdeiros.

Na pratica, muita gente confunde as duas coisas e imagina que o patrimonio inteiro sera objeto de partilha. O erro de leitura tem consequencias praticas, porque influencia expectativas sobre quanto cada herdeiro recebera e sobre o tamanho dos custos envolvidos na transmissao.

Por que a conta final raramente e a conta inicial

Transmitir patrimonio tem custo. Em termos economicos, a sucessao e uma transferencia de ativos que envolve tributo, procedimento e tempo. Cada um desses elementos reduz o valor que efetivamente chega a quem recebe. O tributo sobre heranca e doacao e estadual no Brasil, o que significa que a carga pode variar conforme o estado de domicilio e a natureza dos bens. A coluna da Folha trabalha com tres casais no mesmo exemplo numerico, sugerindo que arranjos diferentes produzem resultados diferentes, e e exatamente essa sensibilidade que o leitor precisa compreender.

Ha tambem um custo que nao aparece em guia de recolhimento: o tempo. Enquanto o inventario nao se conclui, bens podem ficar com liquidez travada. Imoveis nao podem ser vendidos livremente, participacoes societarias podem ficar sem decisao clara e familias podem precisar recorrer a credito para honrar despesas correntes ou o proprio imposto. E o custo de oportunidade do capital parado.

O incentivo ao planejamento

Previsibilidade vale dinheiro. Regras claras e estaveis sobre tributacao e partilha permitem que familias organizem a transmissao com antecedencia, reduzindo atrito e litigio. Quando as regras sao incertas ou variam muito, cresce o incentivo a arranjos defensivos, que consomem recursos sem criar valor produtivo.

O exemplo da coluna nao trata de grandes fortunas. Um patrimonio de R$ 5 milhoes acumulado ao longo de um casamento pode significar casa propria, imovel de aluguel e poupanca de duas decadas. Para esse perfil, saber o que e meacao e o que e heranca nao e tecnicismo juridico: e a diferenca entre planejar e descobrir o problema tarde.

📊 Número do Dia

R$ 2,5 milhoes — Parcela de um patrimonio de R$ 5 milhoes que, no exemplo da coluna da Folha, precisa ser transmitida aos herdeiros apos a morte do marido, ja que a outra metade pertence a esposa como meacao

Por que isso importa

Entender a diferenca entre meacao e heranca muda a conta que uma familia faz sobre quanto patrimonio efetivamente sera partilhado e sobre os custos tributarios e de tempo envolvidos na transmissao. A ausencia de planejamento tende a transformar ativos produtivos em capital travado durante o inventario.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/09/quanto-de-r-5-milhoes-realmente-chega-aos-seus-herdeiros.shtml