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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Biquíni de lacinho vira patrimônio imaterial do Rio

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei que declara o biquíni de lacinho patrimônio cultural imaterial da cidade, segundo o jornal O Globo. A peça foi criada nos anos 1970 por David Azulay (1953-2009), fundador da marca Blueman.

Câmara do Rio aprova projeto que declara o biquíni de lacinho patrimônio cultural imaterial. Entenda o valor econômico da reputação de origem na moda praia.

O reconhecimento aprovado pela Câmara Municipal do Rio, relatado pelo jornal O Globo, trata de um objeto aparentemente banal: um modelo de biquíni com tiras amarradas na lateral. Mas a decisão toca em algo que a economia leva a sério, ainda que os manuais raramente usem essa palavra: ativos intangíveis associados a um lugar.

O que foi efetivamente aprovado

Um projeto de lei, não um programa de incentivo. Segundo o material, a vereadora Joyce Trindade apresentou a proposta e a Câmara a aprovou, declarando o modelo patrimônio cultural imaterial da cidade. A nota oficial citada afirma que a iniciativa reconhece uma peça que ultrapassou o universo da moda e passou a integrar a identidade carioca. O texto disponível não descreve verbas, contrapartidas, obrigações ou benefícios fiscais decorrentes do título. Trata-se, pelo que consta, de um ato declaratório.

A origem comercial da peça

A história narrada pela família Azulay é, no fundo, um caso de descoberta de mercado. Thomaz Azulay, diretor criativo e sobrinho de David, contou em julho que um biquíni experimental de jeans desenvolvido por seu pai, Simão, teve valor comercial percebido por David, que vendeu milhares numa tarde. Como o tecido não tinha elastano e não passava pelas coxas das clientes, veio a solução: cortar a lateral e colocar tiras para amarrar. A restrição técnica gerou a inovação. É o mecanismo clássico da adaptação empresarial, em que a limitação do insumo força o redesenho do produto e cria uma categoria nova. A Blueman foi fundada em 1972.

Por que um selo cultural tem valor econômico

Reputação territorial funciona como um ativo compartilhado. Quando uma cidade associa seu nome a um produto, o reconhecimento público pode reduzir o custo de comunicação de quem produz ali e reforçar a diferenciação diante de concorrentes estrangeiros. É a mesma lógica que sustenta indicações geográficas em vinhos, queijos e cafés: o consumidor paga não apenas pelo bem físico, mas pela narrativa de origem.

Há, porém, uma diferença relevante. O material não informa se o título cria qualquer mecanismo de uso, controle ou proteção da designação. Sem regras de uso, um selo declaratório é sinalização simbólica, e seus efeitos comerciais dependem de como empresas e poder público o explorem depois. Nada no que foi divulgado permite afirmar que exportações, faturamento ou emprego no setor tenham se alterado.

O que observar

Para a indústria de moda praia carioca, o reconhecimento é um ponto de partida potencial, não um resultado. A conversão de patrimônio simbólico em receita depende de execução privada, e isso ainda está por ser demonstrado.

📊 Número do Dia

1972 , Ano de fundação da Blueman por David Azulay, marca associada à criação do biquíni de lacinho agora declarado patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro.

Por que isso importa

O título de patrimônio imaterial transforma uma criação empresarial em ativo simbólico da cidade. Reputação de origem pode reduzir custos de diferenciação para produtores locais, mas o material divulgado não indica mecanismos concretos de uso ou proteção, o que deixa o efeito econômico na esfera do potencial, não do resultado.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/ela/moda/noticia/2026/09/30/e-coisa-nossa-biquini-de-lacinho-vira-patrimonio-cultural-imaterial-do-rio.ghtml