O material divulgado por O Globo na seção de conteúdo patrocinado registra dois fatos distintos. O primeiro é comercial: a Samsung SDS, divisão de tecnologia e logística do grupo sul-coreano, estreou como expositora do evento Logística do Futuro e participou do painel “Cabotagem 2.0”. O segundo é o dado econômico que serve de pano de fundo: segundo levantamento atribuído no texto ao Instituto de Logística e Supply Chain, os custos logísticos teriam consumido 15,5% do Produto Interno Bruto brasileiro em 2025, ante 10,4% em 2014.
O que significa gastar 15,5% do PIB para mover mercadorias
Custo logístico é dinheiro que não vira produto. Transporte, armazenagem, estoques e gestão da cadeia são despesas necessárias, mas não agregam valor ao bem em si. Quando esse gasto sobe de pouco mais de um décimo para cerca de um sexto da economia em pouco mais de uma década, o efeito prático é uma perda de competitividade difusa: cada produto brasileiro chega mais caro à prateleira interna e ao porto de embarque, sem que sua qualidade tenha mudado.
Vale observar o que o número não diz. Uma proporção sobre o PIB pode crescer tanto porque o numerador aumentou quanto porque o denominador cresceu pouco. O material não detalha metodologia, composição do indicador nem eventual mudança de critério entre 2014 e 2025. Também não informa se o salto se deve a combustível, pedágio, juros embutidos no estoque, infraestrutura ou seguro de carga. Sem esse detalhamento, o dado é um sintoma relevante, não um diagnóstico.
Cabotagem: diversificação de modal como seguro operacional
A cabotagem é o transporte de carga entre portos do mesmo país. Num território com litoral extenso e forte dependência rodoviária, o argumento econômico a favor dela é conhecido: maior escala por viagem tende a reduzir o custo unitário em distâncias longas, e a existência de um modal alternativo diminui a exposição a choques concentrados em um único meio de transporte, como greves, restrições de capacidade ou variações bruscas no preço do diesel.
Aqui é preciso separar análise de propaganda. A tese de que a cabotagem deve ser avaliada pelo custo total, e não apenas pelo frete, é defendida no texto por Rosa Amador, diretora comercial de Logística da Samsung SDS, empresa que vende exatamente serviços de integração logística. A argumentação é coerente do ponto de vista econômico, mas continua sendo declaração de parte interessada, não conclusão independente. O material também cita números de escala da companhia, como presença em 36 países e mais de 6.600 especialistas, igualmente informados pela própria empresa.
Quem ganha com a entrada de novos operadores
Do ponto de vista concorrencial, a chegada de mais um operador global ao debate logístico brasileiro tende a ser positiva para o embarcador: mais fornecedores disputando contratos pressionam preços e forçam ganhos de serviço. O ponto de atenção é outro e permanece aberto no material: nenhuma plataforma digital resolve gargalo de infraestrutura portuária, previsibilidade regulatória ou custo tributário. Tecnologia otimiza a operação dentro das restrições existentes; não as elimina.
📊 Número do Dia
15,5% do PIB , Parcela do Produto Interno Bruto brasileiro consumida por custos logísticos em 2025, ante 10,4% em 2014, segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain citado no material publicado por O Globo
Por que isso importa
Custo logístico elevado funciona como um imposto invisível sobre toda a economia: encarece o produto nacional dentro e fora do país sem melhorar sua qualidade. Se a proporção de 15,5% do PIB se confirma, o Brasil gasta uma fatia crescente de sua renda apenas para deslocar mercadorias, o que reduz margens das empresas, pressiona preços ao consumidor e corrói competitividade exportadora.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/09/25/samsung-sds-estreia-como-expositora-na-logistica-do-futuro-1.ghtml
