O Fundo Monetário Internacional (FMI) esclareceu oficialmente que El Salvador não usou dinheiro público para comprar Bitcoin desde junho de 2025. Segundo reportagem da CoinDesk publicada em 4 de setembro de 2026, todas as criptomoedas adicionadas às reservas oficiais do país centro-americano nesse período vieram exclusivamente de doações privadas. A confirmação põe fim a especulações sobre o uso de recursos do Tesouro salvadorenho para acumular o ativo digital.
El Salvador tornou-se o primeiro país do mundo a adotar o Bitcoin como moeda de curso legal em setembro de 2021, uma decisão que gerou controvérsia internacional e críticas do próprio FMI. Desde então, o governo salvadorenho acumulou Bitcoin de forma controversa, usando recursos públicos em meio a dificuldades fiscais do país. A mudança de estratégia para doações privadas representa uma guinada importante na política cripto do país, possivelmente em resposta às pressões do Fundo.
Para contextualizar o cenário brasileiro, a postura de El Salvador contrasta fortemente com a abordagem regulatória do Brasil. Aqui, o Banco Central desenvolve o Drex (a moeda digital oficial brasileira), mas não há qualquer discussão sobre adotar criptomoedas privadas como o Bitcoin nas reservas nacionais. Investidores brasileiros acessam Bitcoin principalmente por meio de exchanges reguladas pela Receita Federal ou ETFs negociados na B3, como HASH11 e QBTC11, que funcionam como ações lastreadas em criptomoedas.
A título de comparação com o mercado tradicional, seria como se o Tesouro Nacional brasileiro comprasse ações da Petrobras com recursos públicos para manter em reserva, uma prática que não ocorre. As reservas internacionais do Brasil, administradas pelo Banco Central, são compostas por moedas estrangeiras tradicionais (dólar, euro) e ouro, ativos com décadas de histórico como reserva de valor.
A confirmação do FMI também sinaliza maior transparência nas operações cripto de governos, um tema sensível para organismos multilaterais. El Salvador mantém aproximadamente 5.800 Bitcoins em suas reservas, segundo dados públicos do governo salvadorenho, adquiridos em diferentes momentos desde 2021. O valor exato dessas reservas oscila conforme a volatilidade característica do Bitcoin (variações diárias de 5% a 10% são comuns, bem acima dos 2% a 3% típicos de moedas tradicionais).
📊 Número do Dia
Zero reais públicos , Valor de recursos do Tesouro de El Salvador usado para comprar Bitcoin desde junho de 2025, segundo confirmação do FMI
Por que isso importa
A confirmação do FMI estabelece um precedente importante sobre transparência fiscal em países que adotam criptomoedas. Para investidores brasileiros, reforça a diferença entre estratégias nacionais: enquanto El Salvador aposta em Bitcoin com doações privadas, o Brasil desenvolve sua própria moeda digital estatal (Drex) sem incorporar criptomoedas privadas às reservas. A distinção entre recursos públicos e privados também pode influenciar futuras negociações de El Salvador com organismos internacionais, tema relevante para quem acompanha a geopolítica das criptomoedas.
Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/09/04/imf-confirms-el-salvador-s-bitcoin-growth-was-funded-by-private-donations-not-public-money


