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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Bitcoin se aproxima do ouro e se afasta das ações

A correlação entre Bitcoin e ouro atingiu o patamar mais alto desde 2020, segundo dados da Glassnode reportados pela The Block em 3 de setembro de 2026. Ao mesmo tempo, o Bitcoin tem se movimentado de forma cada vez mais independente das ações americanas.

Correlação entre Bitcoin e ouro atinge maior nível em seis anos, mas analistas duvidam que descolamento das ações seja duradouro. Entenda o impacto.

O Bitcoin está se comportando cada vez mais como ouro digital, pelo menos no curto prazo. Segundo análise da Glassnode reportada pela The Block, a correlação entre o preço do Bitcoin e o do ouro atingiu o nível mais alto em seis anos (desde 2020). Correlação, neste contexto, significa o quanto dois ativos sobem ou caem juntos: quanto mais próxima de 1, mais sincronizados os movimentos; quanto mais próxima de zero, mais independentes.

Ao mesmo tempo, o Bitcoin tem se distanciado das ações americanas. Esse movimento sugere que investidores podem estar tratando o Bitcoin menos como um ativo de risco (que sobe e desce junto com a bolsa) e mais como uma reserva de valor (que se comporta como ouro em momentos de incerteza). Para contextualizar: historicamente, o Bitcoin oscilou entre esses dois papéis. Em 2020 e 2021, subiu junto com ações de tecnologia. Em 2022, caiu junto com elas durante a alta de juros nos Estados Unidos.

Mas a Glassnode, empresa especializada em análise de dados de blockchain (o registro público e permanente de todas as transações em criptomoedas), alerta que esse tipo de descolamento costuma ser temporário. Segundo a firma, movimentos semelhantes no passado duraram pouco, e o Bitcoin voltou a acompanhar as ações em seguida. A análise não especifica a janela temporal exata da correlação atual, mas a publicação data de 3 de setembro de 2026.

Para o investidor brasileiro, esse movimento tem implicações práticas. Quem investe em Bitcoin por meio de ETFs na B3 (como HASH11, BITH11 ou QBTC11) pode estar, neste momento, comprando um ativo que se comporta mais como proteção contra incerteza do que como aposta em crescimento. A título de comparação: o ouro costuma subir quando investidores temem inflação, crises ou desvalorização de moedas. Se o Bitcoin está seguindo o ouro, pode estar sinalizando que parte do mercado vê riscos à frente.

Ainda assim, a cautela dos analistas da Glassnode é importante. Correlações de curto prazo podem mudar rapidamente, especialmente em um mercado tão volátil quanto o de criptomoedas (em comparação, ações da Petrobras raramente sobem ou caem mais de 3% num único pregão, enquanto o Bitcoin pode variar 8% ou mais em 24 horas). O histórico mostra que o Bitcoin já se comportou como ouro, como ação de tecnologia e como ativo completamente independente, tudo em janelas de poucos meses.

📊 Número do Dia

6 anos , Tempo desde a última vez que a correlação entre Bitcoin e ouro esteve tão alta quanto agora, segundo a Glassnode.

Por que isso importa

Se o Bitcoin está se comportando como ouro, isso muda a lógica de quem investe nele. Para o investidor brasileiro, significa que o ativo pode estar servindo mais como proteção contra incerteza do que como aposta em crescimento. Mas o histórico mostra que esse tipo de movimento costuma ser passageiro: o Bitcoin já voltou a acompanhar ações americanas após descolamentos semelhantes. Quem investe em ETFs de Bitcoin na B3 precisa entender que a natureza do ativo pode mudar de um mês para o outro.


Fonte original: https://www.theblock.co/news/markets/2026-09-03-bitcoin-gold-correlation-hits-six-year-high-but-analysts-question-whether-equity-decoupling-will-last-413437