O maior banco de Israel anunciou parceria com a Galaxy Digital, empresa americana especializada em ativos digitais, para permitir que seus correntistas comprem e vendam Bitcoin, Ethereum e Solana diretamente pela plataforma bancária. A iniciativa marca a entrada do setor bancário tradicional israelense no mercado de criptomoedas para o público geral, conforme reportou a The Block. Trata-se de um movimento semelhante ao que ocorreu no Brasil quando o Mercado Bitcoin passou a operar sob supervisão do Banco Central, embora aqui ainda não tenhamos bancos tradicionais oferecendo cripto diretamente em suas plataformas.
A decisão do banco israelense ocorre em um contexto de forte movimentação de criptomoedas no país. Israel recebeu cerca de US$ 22 bilhões em valor cripto registrado em blockchain (ou seja, transações públicas e auditáveis, como um cartório digital aberto a todos) nos 12 meses encerrados em junho de 2025, segundo dados da Chainalysis, empresa de análise de mercado. Para contextualizar, esse volume equivale a aproximadamente R$ 110 bilhões na cotação atual, valor superior ao patrimônio líquido de muitas das maiores empresas listadas na B3.
A parceria com a Galaxy Digital, fundada pelo investidor Mike Novogratz, permite que o banco terceirize a infraestrutura técnica e a custódia (guarda segura) das criptomoedas, enquanto mantém o relacionamento direto com o cliente. Esse modelo reduz o risco operacional para o banco, que não precisa desenvolver toda a tecnologia internamente, funcionando como uma espécie de white label (produto de terceiro vendido com a marca do banco). No Brasil, esse tipo de parceria ainda é raro: os bancos tradicionais preferem manter distância do mercado cripto, deixando o espaço para fintechs e corretoras especializadas.
A escolha de oferecer Bitcoin, Ethereum e Solana reflete as três maiores criptomoedas por volume de negociação e casos de uso distintos. Bitcoin funciona como reserva de valor digital (comparável ao ouro), Ethereum permite contratos inteligentes (acordos que se executam sozinhos quando condições são cumpridas) e Solana é conhecida por transações rápidas e baratas. Para o investidor brasileiro, a notícia reforça uma tendência global: bancos tradicionais começam a tratar criptomoedas como classe de ativos legítima, não mais como nicho especulativo.
A regulação israelense de criptomoedas é considerada mais avançada que a brasileira em alguns aspectos, especialmente na integração entre bancos tradicionais e empresas de cripto. No Brasil, a Lei 14.478/2022 criou regras para prestadores de serviços de ativos virtuais, mas ainda não há autorização para bancos tradicionais oferecerem cripto diretamente. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Banco Central seguem estudando o tema, enquanto o mercado cresce via corretoras independentes e ETFs como HASH11 e BITH11 na B3.
📊 Número do Dia
US$ 22 bilhões , Volume em criptomoedas movimentado por Israel em 12 meses até junho de 2025, segundo a Chainalysis, equivalente a cerca de R$ 110 bilhões.
Por que isso importa
A entrada de um grande banco tradicional no mercado cripto sinaliza amadurecimento do setor e redução do estigma regulatório. Para o investidor brasileiro, a notícia reforça que criptomoedas deixam de ser produto de nicho e passam a integrar o portfólio de instituições financeiras consolidadas. Embora o Brasil ainda não permita que bancos tradicionais ofereçam cripto diretamente, a tendência global pressiona por mudanças regulatórias locais, o que pode facilitar o acesso do público geral a esses ativos nos próximos anos.
Fonte original: https://www.theblock.co/news/business/2026-08-14-israels-largest-bank-taps-galaxy-to-offer-bitcoin-ether-and-solana-trading-411868


