A bolsa brasileira acumulou em maio de 2026 queda de 7,22%, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023. O Ibovespa — principal índice da B3, que reúne as ações das maiores empresas do país — caiu de cerca de 187 mil pontos em abril para a casa dos 173 mil pontos no fim de maio, segundo a Agência Brasil. O dólar comercial (a cotação usada no comércio exterior e nas transações oficiais) subiu 1,82% no mês e voltou a encerrar acima de R$ 5, cotado a R$ 5,0453.
A queda interrompe uma sequência positiva que vinha desde o início do ano. O Ibovespa ainda acumula ganho de 7,86% em 2026, mas perdeu força após renovar recordes históricos em abril. Desde então, a bolsa acumula sete semanas consecutivas de perdas — é como se o mercado tivesse entrado em um ciclo de desconfiança prolongado, algo raro em períodos de crescimento econômico.
Por que o dinheiro saiu do Brasil?
Investidores estrangeiros retiraram R$ 14,1 bilhões da bolsa brasileira em maio, até o dia 27. Esse movimento reflete uma mudança no fluxo global de capital: parte dos recursos que vinham para mercados emergentes como o Brasil voltou a ser direcionada para ações de tecnologia nos Estados Unidos e em países asiáticos, como Coreia do Sul e Taiwan, conforme reportado pela Agência Brasil. Enquanto a bolsa brasileira caía, os principais índices de Nova York renovaram máximas históricas — o Nasdaq (que reúne empresas de tecnologia) subiu 8,36% em maio, e o S&P 500 (índice mais amplo do mercado americano) avançou 5,15%.
A título de comparação, essa dinâmica é semelhante ao que ocorreu em 2022, quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) iniciou um ciclo agressivo de alta de juros e investidores abandonaram mercados emergentes em busca de segurança. A diferença agora é que a economia brasileira cresce — o PIB (Produto Interno Bruto, soma de tudo que o país produz) avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 ante o trimestre anterior, acima das expectativas. Esse crescimento, paradoxalmente, reforça dúvidas sobre a continuidade dos cortes na Selic (a taxa básica de juros que o Banco Central usa para controlar a inflação), o que torna os ativos brasileiros menos atrativos para quem busca ganhos rápidos.
Petróleo despenca e pressiona Petrobras
Os preços do petróleo caíram 17,4% em maio, pressionados pela expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent (referência internacional) encerrou o mês cotado a US$ 91,12, segundo a Agência Brasil. A perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio — que poderia normalizar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — derrubou os preços da commodity (bens primários com cotação internacional, como petróleo, minério de ferro e soja). Isso afetou diretamente as ações da Petrobras e de outras empresas do setor de energia na bolsa brasileira, que dependem de preços elevados do petróleo para manter suas margens de lucro.
Investidores também acompanharam desdobramentos políticos, incluindo a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — um movimento que pode afetar fluxos financeiros e relações comerciais, embora o impacto direto sobre o mercado ainda seja incerto.
📊 Número do Dia
R$ 14,1 bilhões — Volume retirado por investidores estrangeiros da bolsa brasileira em maio de 2026, até o dia 27, refletindo a mudança no fluxo global de capital.
Por que isso importa
Para o investidor, a saída de capital estrangeiro e a queda da bolsa sinalizam um período de maior volatilidade e incerteza, exigindo cautela em carteiras expostas a ações. Para empresas listadas na B3, a desvalorização dificulta captação de recursos e reduz o valor de mercado. Para o cidadão, o dólar acima de R$ 5 pressiona a inflação de produtos importados — de eletrônicos a combustíveis — e pode atrasar novos cortes de juros, mantendo o crédito mais caro por mais tempo.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/bolsa-tem-pior-mes-desde-2023-e-dolar-sobe-182-em-maio












