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Aave propõe aceitar Bitcoin direto como garantia de empréstimo

Protocolo DeFi busca integração com Babylon para eliminar necessidade de tokens intermediários como WBTC
Executivo em escritório moderno segura documento sobre integração de Bitcoin como garantia em protocolos DeFi, com computadores ao fundo
A Aave, maior protocolo de empréstimos descentralizados do mundo, submeteu uma proposta para aceitar Bitcoin diretamente como garantia de empréstimos em sua próxima versão, a V4. Segundo reportagem publicada pela The Defiant em 13 de maio de 2025, a iniciativa usa a tecnologia da Babylon e elimina a necessidade de versões intermediárias do Bitcoin, como o WBTC (Wrapped Bitcoin).

A Aave DAO (organização autônoma descentralizada, ou seja, uma comunidade que toma decisões por votação) está buscando aprovação para integrar o protocolo Babylon à versão 4 da plataforma. Conforme reportou a The Defiant, a proposta permitiria que usuários usassem Bitcoin nativo (o BTC original da rede Bitcoin) como colateral para tomar empréstimos em outras criptomoedas, sem precisar converter o ativo em versões intermediárias ou confiar em custodiantes (empresas que guardam os ativos por você, como um banco guarda seu dinheiro).

Hoje, quem quer usar Bitcoin em protocolos DeFi (bancos digitais sem banco no meio, onde você empresta e toma empréstimos direto com outras pessoas via contratos automáticos) precisa primeiro trocar o BTC por uma versão “embrulhada”, como o WBTC. Essa versão funciona como um recibo: você deposita Bitcoin com uma empresa custodiante, e ela emite um token equivalente que funciona em outras redes. O problema é que isso cria um ponto central de falha. Em 2024, por exemplo, a empresa BitGo controlava sozinha mais de 95% do WBTC em circulação, segundo dados públicos da DeFiLlama (plataforma de análise de protocolos DeFi).

A proposta da Aave usa a tecnologia da Babylon, que permite “travar” Bitcoin diretamente na rede Bitcoin (sem tirá-lo de lá) e usar esse Bitcoin travado como garantia em outros protocolos. É como deixar seu carro no estacionamento do banco como garantia de um empréstimo, mas sem precisar entregar a chave para ninguém: o carro fica lá, visível e auditável por todos, mas você mantém o controle. A votação preliminar (chamada de “temp check”, ou verificação de temperatura) está em andamento na comunidade Aave, conforme a fonte.

Para o investidor brasileiro, a novidade tem impacto indireto mas relevante. Protocolos como a Aave são acessíveis globalmente, inclusive para brasileiros com carteiras digitais (wallets, ou contas bancárias digitais sem banco). A possibilidade de usar Bitcoin nativo como colateral reduz custos de conversão e riscos de custódia, dois pontos sensíveis para quem opera fora do sistema bancário tradicional. A título de comparação, no mercado brasileiro de ETFs cripto (como HASH11 e QBTC11, negociados na B3), o investidor ainda depende de estruturas custodiantes tradicionais. A proposta da Aave representa um caminho alternativo, mais descentralizado.

Segundo conhecimento de mercado, a Aave V4 ainda não tem data de lançamento confirmada. A proposta atual é apenas uma consulta preliminar à comunidade, e a implementação técnica depende de aprovação formal e auditoria de segurança. Historicamente, grandes mudanças em protocolos DeFi levam meses entre proposta e execução.

📊 Número do Dia

95% , Fatia do WBTC (versão intermediária do Bitcoin) controlada por uma única empresa custodiante em 2024, segundo dados da DeFiLlama, ilustrando o risco de centralização que a proposta da Aave busca eliminar

Por que isso importa

A proposta marca uma tentativa de resolver um dos maiores paradoxos do mercado cripto: o Bitcoin, ativo mais descentralizado do setor, depende de intermediários centralizados para funcionar em aplicações DeFi. Se aprovada e implementada, a integração com Babylon pode abrir caminho para que trilhões de reais em Bitcoin (a preços atuais) circulem em protocolos de empréstimo sem custódia, reduzindo riscos sistêmicos e ampliando o acesso global, inclusive para brasileiros fora do sistema bancário tradicional.


Fonte original: https://thedefiant.io/news/defi/aave-babylon-native-btc-spoke-governance-r4l0sp

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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