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UE barra carne brasileira por falta de garantias sanitárias

UE exclui Brasil de lista de países autorizados a exportar carne por falta de garantias sobre uso de antibióticos. Impacto comercial é limitado, mas sinal político é forte.
A União Europeia publicou nesta terça-feira (12) uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco sob regras mais rígidas de controle de antibióticos na pecuária. O Brasil ficou de fora porque ainda não apresentou garantias suficientes sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais.

A União Europeia decidiu excluir o Brasil de sua lista de países autorizados a exportar carne sob as novas regras sanitárias do bloco, que entraram em vigor junto com o acordo comercial entre UE e Mercosul. Segundo Bruxelas, o governo brasileiro ainda não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de determinados produtos antimicrobianos (substâncias usadas para combater bactérias) na criação de animais. A lista aprovada inclui países como Argentina, Colômbia e México, considerados em conformidade com as exigências europeias.

As regras europeias proíbem o uso de antimicrobianos em animais para acelerar crescimento ou aumentar produtividade — uma prática comum em diversos países para tornar a pecuária mais eficiente. A legislação também veta o uso, em animais, de antibióticos considerados essenciais para o tratamento de infecções humanas, como forma de combater a resistência bacteriana aos medicamentos. É como se a Europa quisesse garantir que os remédios que salvam vidas humanas não percam eficácia por causa do uso excessivo na criação de gado.

Impacto comercial limitado, mas sinal político importante

Apesar da exclusão, o impacto comercial direto para o Brasil deve ser pequeno: a União Europeia não está entre os dez maiores compradores de carne bovina brasileira. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o principal destino da carne brasileira é a China, seguida pelos Estados Unidos e Rússia. A título de comparação, a Argentina — que foi incluída na lista europeia — exporta proporcionalmente muito mais carne para a UE do que o Brasil, tornando a conformidade sanitária mais crítica para os argentinos.

No entanto, a medida tem forte peso político. A divulgação da lista ocorre em meio à pressão de agricultores europeus e de países como a França, que criticam o acordo de livre comércio entre UE e Mercosul por temer concorrência desleal. O acordo começou a valer provisoriamente em 1º de maio e ainda aguarda decisão judicial na Europa sobre sua legalidade. O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que “é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos” dos produtores europeus, sinalizando que a lista serve também para demonstrar rigor regulatório.

Autoridades europeias indicaram que a lista poderá ser atualizada em breve caso o governo brasileiro responda às solicitações pendentes sobre controles sanitários. A exclusão temporária funciona como um recado: para acessar plenamente o mercado europeu, o Brasil precisará comprovar que seus padrões sanitários atendem às exigências do bloco.

📊 Número do Dia

Zero , Posição da União Europeia no ranking dos dez maiores compradores de carne bovina brasileira, segundo a Abiec

Por que isso importa

Para o setor frigorífico brasileiro, a exclusão tem impacto comercial limitado no curto prazo, já que a UE não é um grande comprador. Mas o episódio expõe uma vulnerabilidade estratégica: à medida que acordos comerciais avançam, o Brasil precisará adequar seus controles sanitários aos padrões internacionais mais exigentes para não perder acesso a mercados desenvolvidos. Para o cidadão, a questão dos antibióticos na pecuária afeta a saúde pública global — o uso excessivo desses medicamentos em animais pode criar bactérias resistentes que dificultam o tratamento de infecções humanas.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/12/uniao-europeia-exclui-brasil-de-lista-de-paises-autorizados-a-exportar-carne-sob-regras-sanitarias.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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