O caso ilustra um tipo de crime que vem crescendo no universo cripto: o chamado “wrench attack” (ataque de chave inglesa, em tradução livre), quando criminosos usam violência física para forçar vítimas a entregar suas criptomoedas. Diferentemente de hackers que roubam senhas pela internet, esses criminosos agem presencialmente, coagindo as pessoas a transferir seus ativos digitais na hora, sob ameaça.
Conforme a acusação do Ministério Público americano reportada pela Cointelegraph, o trio operava com um método específico: se passavam por entregadores de encomendas para ganhar acesso às casas. Uma vez dentro, forçavam as vítimas a abrir suas wallets (carteiras digitais onde ficam guardadas as criptomoedas, como uma conta bancária sem banco) e transferir os fundos para endereços controlados pelos criminosos. O valor roubado, de pelo menos US$ 6,5 milhões, equivale a cerca de R$ 36 milhões na cotação atual (considerando US$ 1 = R$ 5,50, taxa aproximada de mercado em maio de 2025).
Este tipo de crime expõe uma vulnerabilidade específica do mercado cripto: a irreversibilidade das transações. Quando alguém transfere Bitcoin ou outra criptomoeda, não há como cancelar ou estornar a operação, diferentemente de uma transferência bancária tradicional que pode ser contestada. Para contextualizar com o mercado brasileiro, é como se alguém invadisse sua casa e forçasse você a fazer um Pix que jamais poderá ser devolvido, mesmo com boletim de ocorrência.
A Cointelegraph não detalhou a data exata dos crimes nem o período em que ocorreram, mas a acusação formal foi divulgada em maio de 2025. Segundo conhecimento de mercado, casos de “wrench attacks” têm se tornado mais comuns à medida que o valor das criptomoedas aumenta e criminosos percebem que alguns investidores guardam quantias significativas em casa, em dispositivos físicos chamados hardware wallets (pen drives especiais que armazenam criptomoedas de forma offline).
Para o investidor brasileiro, o caso reforça a importância de não expor publicamente quanto se possui em criptomoedas e de usar medidas de segurança física, além das digitais. Historicamente, especialistas em segurança cripto recomendam nunca revelar em redes sociais ou conversas casuais o tamanho do patrimônio digital, justamente para evitar se tornar alvo desse tipo de crime.
📊 Número do Dia
US$ 6,5 milhões , Valor mínimo roubado pelo trio em ataques físicos a detentores de criptomoedas em Los Angeles, equivalente a cerca de R$ 36 milhões.
Por que isso importa
O caso expõe uma vulnerabilidade crescente no ecossistema cripto: a segurança física dos investidores. Enquanto a indústria investe bilhões em proteção digital (criptografia, autenticação em dois fatores, carteiras frias), a irreversibilidade das transações em blockchain torna a coação física uma estratégia lucrativa para criminosos. Para o investidor brasileiro, especialmente aqueles que guardam criptomoedas em hardware wallets em casa, o episódio serve de alerta: discrição sobre patrimônio digital é tão importante quanto senhas fortes. Diferentemente de um assalto tradicional, onde o banco pode bloquear cartões ou estornar transações, uma transferência de Bitcoin feita sob ameaça é definitiva e irrastreável se os criminosos usarem técnicas de anonimização.












