O CEO da Strike, Jack Mallers, rebateu publicamente a tese de que a entrada de Wall Street no mercado de Bitcoin representa uma ameaça à natureza descentralizada da criptomoeda. Segundo reportagem da Cointelegraph publicada em 9 de maio de 2025, Mallers argumentou que, se grandes instituições financeiras conseguissem “matar” o Bitcoin (a maior criptomoeda do mundo, criada em 2009 como alternativa ao sistema financeiro tradicional), então o ativo nunca teria tido fundamentos sólidos para prosperar.
A declaração ocorre em meio ao crescente envolvimento de instituições financeiras tradicionais no mercado cripto. Nos últimos anos, bancos de investimento, gestoras de fundos e corretoras de Wall Street passaram a oferecer produtos ligados ao Bitcoin, incluindo ETFs (fundos negociados em bolsa que permitem investir em Bitcoin sem comprar a moeda diretamente, como se fosse uma ação). Esse movimento gerou debate na comunidade cripto sobre se a participação institucional fortalece ou enfraquece os princípios originais do Bitcoin, que incluem descentralização (ausência de controle por uma única entidade) e resistência à censura.
Para contextualizar o debate brasileiro, a B3 já lista ETFs de criptomoedas como HASH11, BITH11 e QBTC11, que permitem ao investidor brasileiro exposição ao Bitcoin sem precisar abrir conta em corretora de cripto. A discussão levantada por Mallers toca diretamente investidores locais: a entrada de grandes players financeiros facilita o acesso, mas levanta questões sobre se isso altera a proposta original do ativo. Historicamente, o Bitcoin foi criado como resposta à crise financeira de 2008, propondo um sistema monetário sem intermediários bancários.
A posição de Mallers reflete uma corrente de pensamento no ecossistema cripto que vê a adoção institucional como teste de resiliência, não como ameaça. Segundo essa visão, se o Bitcoin não conseguir manter suas características fundamentais mesmo com a participação de Wall Street, isso indicaria fragilidade estrutural, não captura externa. A analogia seria como um produto orgânico que, ao entrar no supermercado, precisa manter suas características para justificar o rótulo, caso contrário nunca foi verdadeiramente orgânico.
📊 Número do Dia
2009 , Ano de criação do Bitcoin, proposto como alternativa descentralizada ao sistema financeiro tradicional após a crise de 2008
Por que isso importa
O debate sobre a influência de Wall Street no Bitcoin afeta diretamente a decisão de investidores brasileiros que buscam exposição ao ativo. Se a entrada institucional preservar as características de descentralização e escassez programada (apenas 21 milhões de unidades serão criadas), o Bitcoin mantém sua proposta de valor original. Caso contrário, investidores precisam reavaliar se o ativo ainda cumpre a função de reserva de valor independente do sistema financeiro tradicional, especialmente relevante em economias com histórico inflacionário como a brasileira.












