Página inicial / Brasil no Mundo / Consórcio Brasil-Alemanha anuncia R$ 12 bi em hidrogênio verde no RN

Consórcio Brasil-Alemanha anuncia R$ 12 bi em hidrogênio verde no RN

Consórcio Brasil-Alemanha anuncia R$ 12 bi em hidrogênio verde no RN. Projeto em Areia Branca já tem licença prévia e busca financiamento com BNDES e bancos.
Um consórcio de empresas brasileiras e alemãs anunciou na Hannover Messe, na Alemanha, investimentos de € 2 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões) em um projeto de hidrogênio verde, energia eólica e solar no Rio Grande do Norte. O empreendimento, chamado Morro Pintado, fica em Areia Branca e já recebeu licença ambiental prévia do governo estadual.

O Rio Grande do Norte pode se tornar um dos principais polos de hidrogênio verde do Brasil. Segundo anúncio feito na Hannover Messe — a maior feira industrial do mundo —, um consórcio de empresas brasileiras e alemãs pretende investir € 2 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões) em um projeto que combina produção de hidrogênio verde (combustível obtido a partir de fontes renováveis, sem emissão de carbono), energia eólica e solar. O projeto Morro Pintado, localizado em Areia Branca, no litoral norte do estado, já obteve licença ambiental prévia, o que permite ao consórcio avançar na busca por financiamento.

O hidrogênio verde será transformado em amônia verde para facilitar o transporte até a Alemanha. Lá, a amônia pode ser reconvertida em hidrogênio ou usada diretamente na produção de fertilizantes — imagine que o hidrogênio é como gás de cozinha: difícil de transportar em longas distâncias, então é convertido em um formato mais prático (a amônia) para a viagem. O empreendimento inclui ainda um terminal portuário para escoar a produção. Fernando Luiz Vilela, diretor-presidente da Brazil Green Energy, afirmou que mais de 20 bancos demonstraram interesse no projeto, e há conversas em andamento com o BNDES (o banco público de fomento do Brasil) para participar do financiamento.

Para garantir que o investimento seja viável, o consórcio participa do H2Global, um mecanismo da União Europeia que funciona como um leilão entre compradores e vendedores de hidrogênio verde. Esse sistema usa recursos públicos europeus para reduzir o custo do hidrogênio limpo, que hoje é mais caro que alternativas poluentes. É como um subsídio que torna o produto verde competitivo no mercado. A título de comparação, a Alemanha lidera globalmente a corrida por hidrogênio verde: o país planeja importar até 70% de suas necessidades futuras, segundo dados públicos do governo alemão, e já firmou parcerias semelhantes com Austrália e Chile.

O Brasil desponta como fornecedor estratégico por reunir ventos fortes no Nordeste, sol abundante e proximidade de portos. O Rio Grande do Norte, em particular, concentra projetos que somam dezenas de bilhões em investimentos anunciados nos últimos dois anos. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que coordenou a participação do Brasil na Hannover Messe 2026, o país foi homenageado no evento justamente por seu potencial em energias renováveis.

📊 Número do Dia

R$ 12 bilhões , Valor do investimento anunciado pelo consórcio Brasil-Alemanha em hidrogênio verde, energia eólica e solar no Rio Grande do Norte

Por que isso importa

Para o cidadão, projetos como esse podem gerar milhares de empregos diretos e indiretos no Nordeste, região historicamente marcada por desigualdades econômicas. Para o investidor, o hidrogênio verde representa uma aposta de longo prazo em um mercado global estimado em trilhões de dólares até 2050, com o Brasil posicionado como exportador competitivo. Para as empresas, a participação no H2Global e o apoio do BNDES sinalizam que há instrumentos concretos para viabilizar projetos de grande porte em energia limpa, reduzindo riscos e atraindo capital estrangeiro.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/feira-de-hannover/noticia/2026/04/22/rio-grande-do-norte-pode-ter-r-12-bi-de-consorcio-de-empresas-de-alemanha-e-brasil-para-hidrogenio-verde-e-energia-eolica-e-solar.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
Banner vertical do jornal Correio Capital com mensagem institucional convidando para acompanhar análises sobre a economia brasileira e assinar a newsletter.

Últimas notícias