O Rio Grande do Norte pode se tornar um dos principais polos de hidrogênio verde do Brasil. Segundo anúncio feito na Hannover Messe — a maior feira industrial do mundo —, um consórcio de empresas brasileiras e alemãs pretende investir € 2 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões) em um projeto que combina produção de hidrogênio verde (combustível obtido a partir de fontes renováveis, sem emissão de carbono), energia eólica e solar. O projeto Morro Pintado, localizado em Areia Branca, no litoral norte do estado, já obteve licença ambiental prévia, o que permite ao consórcio avançar na busca por financiamento.
O hidrogênio verde será transformado em amônia verde para facilitar o transporte até a Alemanha. Lá, a amônia pode ser reconvertida em hidrogênio ou usada diretamente na produção de fertilizantes — imagine que o hidrogênio é como gás de cozinha: difícil de transportar em longas distâncias, então é convertido em um formato mais prático (a amônia) para a viagem. O empreendimento inclui ainda um terminal portuário para escoar a produção. Fernando Luiz Vilela, diretor-presidente da Brazil Green Energy, afirmou que mais de 20 bancos demonstraram interesse no projeto, e há conversas em andamento com o BNDES (o banco público de fomento do Brasil) para participar do financiamento.
Para garantir que o investimento seja viável, o consórcio participa do H2Global, um mecanismo da União Europeia que funciona como um leilão entre compradores e vendedores de hidrogênio verde. Esse sistema usa recursos públicos europeus para reduzir o custo do hidrogênio limpo, que hoje é mais caro que alternativas poluentes. É como um subsídio que torna o produto verde competitivo no mercado. A título de comparação, a Alemanha lidera globalmente a corrida por hidrogênio verde: o país planeja importar até 70% de suas necessidades futuras, segundo dados públicos do governo alemão, e já firmou parcerias semelhantes com Austrália e Chile.
O Brasil desponta como fornecedor estratégico por reunir ventos fortes no Nordeste, sol abundante e proximidade de portos. O Rio Grande do Norte, em particular, concentra projetos que somam dezenas de bilhões em investimentos anunciados nos últimos dois anos. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que coordenou a participação do Brasil na Hannover Messe 2026, o país foi homenageado no evento justamente por seu potencial em energias renováveis.
📊 Número do Dia
R$ 12 bilhões , Valor do investimento anunciado pelo consórcio Brasil-Alemanha em hidrogênio verde, energia eólica e solar no Rio Grande do Norte
Por que isso importa
Para o cidadão, projetos como esse podem gerar milhares de empregos diretos e indiretos no Nordeste, região historicamente marcada por desigualdades econômicas. Para o investidor, o hidrogênio verde representa uma aposta de longo prazo em um mercado global estimado em trilhões de dólares até 2050, com o Brasil posicionado como exportador competitivo. Para as empresas, a participação no H2Global e o apoio do BNDES sinalizam que há instrumentos concretos para viabilizar projetos de grande porte em energia limpa, reduzindo riscos e atraindo capital estrangeiro.













