Pular para o conteúdo
quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Governo desiste de empréstimo para segurar conta de luz

O governo Lula desistiu de articular um empréstimo de até R$ 7 bilhões para distribuidoras de energia elétrica. A medida visava minimizar o aumento previsto na conta de luz em 2026, ano de eleições presidenciais.

Casal com criança examinando documentos financeiros na mesa da cozinha, representando impacto das contas de luz
Famílias brasileiras enfrentam pressão no orçamento doméstico com custos crescentes da energia elétrica.

O Planalto recuou de uma operação de crédito que poderia injetar até R$ 7 bilhões no setor elétrico para segurar as tarifas de energia. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 20 de abril, o governo agora busca alternativas para conter o impacto do reajuste previsto para este ano. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta aumento médio de 8% nas contas de luz em 2026 — um percentual que pesa no bolso das famílias e pode ter repercussões políticas em ano eleitoral.

A ideia original era que as distribuidoras tomassem o empréstimo para cobrir custos extraordinários, diluindo o impacto tarifário ao longo do tempo. Funciona como parcelar uma despesa inesperada no cartão de crédito: o consumidor não sente o baque de uma vez, mas paga juros depois. O mecanismo já foi usado em crises hídricas anteriores, quando o Brasil precisou acionar termelétricas — usinas que queimam combustíveis fósseis para gerar energia, mais caras que as hidrelétricas.

O recuo ocorre em meio a pressões fiscais e preocupações com o endividamento do setor elétrico. O governo teme que a operação seja vista como uma manobra contábil para mascarar custos que, mais cedo ou mais tarde, recairão sobre os consumidores. A título de comparação, países como a Espanha e a Itália adotaram subsídios diretos às tarifas de energia durante a crise energética europeia de 2022, mas enfrentaram críticas por comprometer as contas públicas.

Agora, o Planalto avalia medidas alternativas, como o uso de recursos de fundos setoriais ou a revisão de encargos que compõem a tarifa. A conta de luz no Brasil carrega uma série de tributos e encargos — cerca de 30% do valor final, segundo dados da Aneel — que financiam desde programas sociais até investimentos em infraestrutura energética.

📊 Número do Dia

8% — Aumento médio previsto pela Aneel para as contas de luz em 2026, ano de eleições presidenciais

Por que isso importa

Para o cidadão, qualquer alta na conta de luz corrói o poder de compra, especialmente em um momento de inflação persistente e juros elevados. Para o governo, segurar tarifas em ano eleitoral é estratégia política clássica — mas o recuo do empréstimo mostra os limites fiscais dessa manobra. Empresas do setor elétrico, por sua vez, aguardam definições sobre como financiar custos extraordinários sem comprometer a saúde financeira das distribuidoras.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/governo-recua-de-emprestimo-e-busca-alternativa-para-segurar-conta-de-luz-em-ano-eleitoral.shtml