A Método Telecom venceu o leilão da telefonia fixa da Oi com uma proposta de R$ 60,1 milhões pagos à vista, superando a concorrente Sercomtel, que ofereceu R$ 60 milhões parcelados em dez vezes. A decisão da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro encerra uma etapa importante do processo de recuperação judicial da Oi, empresa que já foi a maior operadora de telecomunicações do Brasil.
O pacote adquirido pela Método vai muito além das linhas residenciais tradicionais. A empresa assume a operação de números emergenciais como 190 (Polícia Militar), 192 (SAMU) e 193 (Corpo de Bombeiros), além do compromisso de manter o serviço em mais de 7.400 localidades onde a Oi atua como única operadora até dezembro de 2028. Segundo a Agência Brasil, a Justiça classificou a venda como “providência urgente” para evitar a interrupção de serviços vitais para milhões de brasileiros, especialmente em áreas remotas.
O que está incluído na venda
A operadora vencedora herda toda a infraestrutura física necessária para manter o serviço funcionando: torres, postes, fiação e até os tradicionais orelhões públicos. Trata-se de uma rede que, embora em declínio no Brasil urbano — onde a telefonia móvel domina —, ainda é essencial em regiões onde a internet e os celulares não chegam com qualidade. A título de comparação, países como Estados Unidos e França também enfrentam o desafio de manter redes de telefonia fixa em áreas rurais, onde o custo de operação é alto e a demanda, baixa.
Um ponto crucial da operação é que a Método assume o negócio livre de dívidas antigas. Isso significa que pendências trabalhistas, fiscais ou cíveis acumuladas pelo Grupo Oi não passam para a nova dona, permitindo que os investimentos sejam direcionados à manutenção e modernização do serviço. Esse modelo de venda, chamado de Unidade Produtiva Isolada (UPI), é comum em recuperações judiciais e protege o comprador de passivos ocultos.
Contexto da telefonia fixa no Brasil
A telefonia fixa no Brasil vive uma trajetória de queda há mais de uma década. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de linhas fixas no país caiu de cerca de 44 milhões em 2010 para menos de 30 milhões em 2025. A migração para celulares e serviços de internet, como WhatsApp e chamadas por voz sobre IP (VoIP), tornou o telefone fixo obsoleto para a maioria das famílias urbanas. No entanto, em municípios pequenos e áreas rurais, a linha fixa ainda é a única forma confiável de comunicação, especialmente para acionar serviços de emergência.
A Oi, que já foi símbolo da modernização das telecomunicações brasileiras nos anos 2000, entrou em recuperação judicial em 2016 com uma dívida de mais de R$ 65 bilhões — uma das maiores da história corporativa do país. Desde então, a empresa vem vendendo ativos para pagar credores. A venda da telefonia fixa é mais um capítulo desse processo de desmonte controlado.
📊 Número do Dia
7.400 — Número de localidades onde a Oi é a única operadora de telefonia fixa e onde a Método terá que manter o serviço até 2028
Por que isso importa
Para milhões de brasileiros em áreas remotas, a telefonia fixa da Oi é a única forma de acionar emergências como polícia, bombeiros e ambulância. A venda garante que esses serviços não sejam interrompidos, ao menos até 2028. Para a Método, a operação representa uma aposta em um mercado em declínio, mas com receita garantida em nichos onde não há concorrência. Para investidores e credores da Oi, cada venda de ativo acelera o pagamento de dívidas bilionárias acumuladas há quase uma década.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/servico-de-telefonia-fixa-da-operadora-oi-e-vendido-por-r-60-milhoes












