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Dólar cai a R$ 5,17 com sinais de trégua no Oriente Médio

Real registra melhor performance entre moedas emergentes no trimestre, enquanto Ibovespa sobe 2,71% com otimismo dos investidores
Profissionais em escritório analisando gráficos de trading e dados financeiros em monitores, mercado cambial dólar
O dólar comercial fechou esta terça-feira (31) a R$ 5,179, queda de 1,31%, enquanto o Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) subiu 2,71%, aos 187.462 pontos. O movimento reflete o alívio nos mercados globais diante de sinais de possível desescalada da guerra no Oriente Médio.

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (31) vendido a R$ 5,179, com queda de R$ 0,069 (-1,31%), segundo a Agência Brasil. A moeda americana — que funciona como termômetro da confiança dos investidores estrangeiros no Brasil — iniciou o dia em leve baixa, mas ampliou a queda no meio da tarde. O gatilho foi a divulgação de declarações do presidente estadunidense, Donald Trump, e do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, que indicam abertura para encerrar o conflito militar na região.

A cotação está no menor nível desde 11 de março, quando tinha fechado em R$ 5,15. Apesar do impacto do conflito, o dólar subiu apenas 0,87% em março, e no primeiro trimestre do ano registra queda de 5,65% — o que garantiu ao real o melhor desempenho entre as principais moedas em 2026. Para comparação, o peso mexicano, outra moeda emergente importante, acumula queda de cerca de 3% no mesmo período, segundo dados públicos do mercado de câmbio.

Bolsa em alta com apetite por risco

O Ibovespa — índice que reúne as ações das maiores empresas negociadas na bolsa brasileira — acompanhou o cenário externo positivo e fechou em alta de 2,71%, aos 187.462 pontos. O movimento foi impulsionado pela recuperação das bolsas nos Estados Unidos, que também reagiram às expectativas de trégua. Quando há sinais de paz em conflitos geopolíticos, investidores tendem a migrar de ativos considerados seguros (como ouro e títulos do governo americano) para ações de países emergentes, que oferecem maior potencial de retorno — é como trocar a poupança pelo investimento em um negócio promissor.

Apesar do avanço no dia, o índice acumulou queda de 0,70% em março, pressionado pela aversão global ao risco ao longo do mês. No trimestre, porém, o desempenho foi expressivo: alta de 16,35%, a melhor para o período desde 2020, quando a economia se recuperava dos primeiros impactos da pandemia. O fluxo de capital estrangeiro — dinheiro de investidores de fora que compram ações brasileiras — e a expectativa de alívio no conflito ajudaram a sustentar o desempenho positivo, embora analistas alertem que o cenário ainda é sensível a novas escaladas militares.

Petróleo recua, mas acumula alta de 40% no mês

Os preços do petróleo oscilaram ao longo do dia, refletindo a mesma expectativa de trégua no conflito. O barril do tipo Brent (referência internacional) para junho caiu cerca de 3% para US$ 103,97, após reportagens de veículos estadunidenses informarem que o Irã estaria disposto a encerrar a guerra sob determinadas condições, segundo informações da Reuters citadas pela Agência Brasil. Mesmo com a recente queda, o petróleo fechou março com valorização de cerca de 40%, impulsionado por riscos à oferta global, especialmente devido às tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo — imagine que uma das principais rodovias do país fosse bloqueada: o preço do frete subiria imediatamente.

📊 Número do Dia

5,65% — Queda acumulada do dólar no primeiro trimestre de 2026, garantindo ao real o melhor desempenho entre as principais moedas emergentes no período

Por que isso importa

Para o cidadão, a queda do dólar pode significar alívio nos preços de produtos importados e combustíveis, embora o efeito demore a chegar ao bolso. Para o investidor, o rali da bolsa no trimestre (16,35%) reforça o Brasil como destino atrativo de capital estrangeiro, mas a volatilidade ligada ao conflito no Oriente Médio exige cautela. Para empresas exportadoras, a moeda mais fraca reduz a competitividade, enquanto importadoras ganham fôlego. O cenário depende da continuidade da distensão geopolítica — qualquer escalada pode reverter rapidamente os ganhos.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/dolar-cai-para-r-517-e-bolsa-sobe-com-expectativas-sobre-guerra

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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