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Apreensões de canetas emagrecedoras disparam no Brasil

Receita Federal registra salto de mais de dez vezes nas apreensões em 2025, movimentando mercado paralelo de R$ 50 milhões
Agente uniformizada examina canetas de medicamentos apreendidas em operação fiscal, com caixas de produtos ao fundo
As apreensões de canetas emagrecedoras ilegais pela Receita Federal cresceram mais de dez vezes em 2025, saltando de 2,8 mil unidades em 2024 para 32,9 mil no ano passado, segundo dados obtidos pelo jornal O Globo.

A Receita Federal apreendeu 32,9 mil canetas emagrecedoras em aeroportos e fronteiras brasileiras em 2025, um salto de mais de dez vezes em relação às 2,8 mil unidades retidas em 2024. Os dados, obtidos pelo jornal O Globo, revelam que só nos dois primeiros meses de 2026 já foram apreendidas mais de 25 mil unidades desses medicamentos, que chegam ao país de forma ilegal.

As canetas emagrecedoras são dispositivos semelhantes a injetores de insulina que contêm medicamentos como semaglutida e liraglutida — substâncias que reduzem o apetite e ajudam no controle do peso, originalmente desenvolvidas para tratar diabetes. Em valores, as apreensões somam mais de R$ 50 milhões desde 2024, segundo o Fisco. O crescimento explosivo reflete o aumento da demanda por esses produtos entre brasileiros que buscam emagrecimento rápido, muitas vezes sem prescrição médica.

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, a demanda por esses medicamentos cresceu tanto que gerou desabastecimento em farmácias, levando a FDA (agência reguladora americana) a alertar sobre produtos falsificados. A diferença é que, enquanto nos EUA o problema é o desabastecimento do produto legal, no Brasil o desafio é o contrabando em larga escala. A Receita Federal tem encontrado as canetas escondidas em objetos inusitados, como bichinhos de pelúcia, evidenciando a criatividade dos contrabandistas.

O mercado paralelo da saúde

O contrabando de medicamentos funciona como qualquer mercado paralelo: quando a demanda supera a oferta legal — seja por preço alto ou dificuldade de acesso —, surgem canais ilegais. No caso das canetas emagrecedoras, cada unidade pode custar entre R$ 1.000 e R$ 2.000 no mercado legal brasileiro, tornando o contrabando atraente para consumidores que buscam alternativas mais baratas. O problema é que medicamentos sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não passam por controle de qualidade, podendo conter substâncias adulteradas ou em doses inadequadas.

A Anvisa exige prescrição médica para a compra desses medicamentos no Brasil, mas o mercado ilegal opera à margem dessas regras. Segundo dados públicos da agência, o uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais graves, como náuseas intensas, problemas gastrointestinais e, em casos extremos, pancreatite (inflamação do pâncreas).

📊 Número do Dia

32,9 mil , Canetas emagrecedoras apreendidas pela Receita Federal em 2025, dez vezes mais que em 2024

Por que isso importa

Para o cidadão, o crescimento do contrabando revela os riscos de buscar medicamentos fora dos canais oficiais — produtos sem controle de qualidade podem causar danos à saúde. Para empresas farmacêuticas, o mercado paralelo representa perda de receita e desafios de distribuição. Para o governo, o volume de apreensões evidencia a necessidade de políticas que equilibrem acesso a tratamentos de obesidade com segurança sanitária, seja ampliando a oferta legal ou intensificando a fiscalização nas fronteiras.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/03/29/receita-acha-canetas-emagrecedoras-ate-em-bichinhos-de-pelucia-e-apreensoes-disparam.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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