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Uber avisa: vínculo empregatício elevaria corridas em 60%

CEO da empresa afirma que formalização trabalhista tornaria serviço mais caro e reduziria volume de negócios no país
Smartphone exibindo ícone de táxi amarelo conectado por corrente a cadeado sobre mesa, representando regulamentação Uber
O presidente da Uber, Dara Khosrowshahi, afirmou em entrevista à Folha nesta quinta-feira (19) que uma eventual mudança na legislação brasileira obrigando a empresa a contratar motoristas com carteira assinada elevaria o preço das corridas em até 60%. Apesar disso, garantiu que a companhia não deixará o país.

O Brasil é o mercado onde a Uber realiza o maior número de corridas no mundo, segundo declaração do CEO Dara Khosrowshahi à Folha. Por conseguinte, a relevância do país para a operação global da empresa torna o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo especialmente sensível — tanto para a companhia quanto para milhões de motoristas e usuários brasileiros.

Dessa forma, Khosrowshahi projetou que, caso uma nova legislação force a contratação de todos os motoristas com vínculo empregatício (ou seja, com carteira assinada, férias, 13º salário e outros direitos trabalhistas), o preço das corridas subiria em até 60% e o volume de negócios da empresa diminuiria. Visto que a estimativa reflete o aumento de custos operacionais que a formalização trabalhista representaria, para o usuário comum, seria como se uma corrida de R$ 20 passasse a custar R$ 32 — impacto direto no bolso de quem depende do aplicativo para se locomover.

Apesar do cenário desafiador, contudo, o executivo foi enfático: “Quero deixar claro que vamos continuar no Brasil”. A declaração sinaliza que, mesmo com margens menores e operação mais cara, a Uber considera o mercado brasileiro estratégico demais para abandonar. De fato, o país concentra uma base expressiva de usuários e motoristas, além disso, representa um laboratório importante para economias emergentes.

Comparação internacional

A título de comparação, por outro lado, na Europa, diversos países já impuseram regras mais rígidas para aplicativos de transporte. Na Espanha, por exemplo, a Uber foi obrigada a contratar motoristas como empregados em 2021, o que resultou em aumento de preços e redução da oferta de carros disponíveis. Da mesma forma, no Reino Unido, decisão judicial de 2021 também reconheceu motoristas como trabalhadores com direitos, elevando custos operacionais. O caso brasileiro, portanto, não é isolado — reflete um movimento global de pressão por regulamentação do trabalho em plataformas digitais.

O que muda para o cidadão

Para o usuário brasileiro, em contrapartida, a eventual mudança na lei pode significar corridas mais caras e menor disponibilidade de carros, especialmente em horários de pico. Para os motoristas, no entanto, o debate é complexo: enquanto a carteira assinada traria segurança e direitos trabalhistas, poderia reduzir a flexibilidade que muitos valorizam no modelo atual. Assim sendo, segundo dados públicos, milhões de brasileiros dependem de aplicativos como fonte de renda — seja como atividade principal ou complementar.

📊 Número do Dia

60% — Aumento estimado no preço das corridas caso Uber seja obrigada a contratar motoristas com carteira assinada no Brasil

Por que isso importa

De fato, o Brasil é o maior mercado da Uber em volume de corridas no mundo, e qualquer mudança regulatória afeta diretamente milhões de usuários e motoristas. Portanto, o debate sobre vínculo empregatício em aplicativos define não apenas o futuro do transporte urbano, mas também o equilíbrio entre direitos trabalhistas, custo de vida e flexibilidade econômica em um país onde, sobretudo, o desemprego ainda é elevado e a informalidade predomina.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/brasil-e-onde-a-uber-faz-mais-corridas-no-mundo-e-nao-deixara-pais-mesmo-com-mudanca-em-lei-diz-ceo.shtml

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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