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quarta-feira, 12 de agosto de 2026 Brasil

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Governo recua e retira socorro público a bancos

A equipe econômica do governo federal decidiu retirar do projeto de lei sobre intervenção em bancos o trecho que permitia o uso de recursos públicos para socorrer instituições financeiras em crise. A mudança ocorreu após forte resistência no Congresso, inclusive dentro do PT.

Pessoas em fila na porta de agência da Caixa com aviso na entrada, banco público, sistema financeiro
Clientes aguardam atendimento em agência da Caixa em meio a debates sobre socorro público ao setor bancário.

O Ministério da Fazenda recuou de uma das propostas mais controversas do projeto que moderniza as regras de intervenção do Banco Central em instituições financeiras. Conforme informado pelo ministro Fernando Haddad, o governo concordou em suprimir o dispositivo que permitia o uso de dinheiro público para socorrer bancos em dificuldades — ou seja, uma medida que enfrentava forte oposição entre parlamentares, inclusive da base aliada.

O projeto, apresentado originalmente em 2019, busca criar mecanismos mais eficientes para lidar com crises bancárias sem que o problema se espalhe para toda a economia (o que economistas chamam de “risco sistêmico” — quando a quebra de um banco pode derrubar outros como peças de dominó). Dessa forma, a lógica central é priorizar soluções de mercado antes de qualquer intervenção do Estado, fazendo com que os próprios investidores e credores arquem com os prejuízos.

Entre os instrumentos previstos estão, por exemplo, o regime de estabilização (uma espécie de intervenção preventiva do BC antes que a situação piore), além do mecanismo de “bail-in” (quando investidores absorvem as perdas em vez do contribuinte), a conversão de dívidas em ações e a criação de um fundo financiado pelo próprio sistema financeiro. Em outras palavras, é como um seguro coletivo: os bancos contribuem para um fundo que pode ser usado caso algum deles enfrente problemas graves.

Por outro lado, a retirada do dispositivo marca uma inflexão na posição da equipe econômica, que anteriormente defendia a possibilidade de apoio da União como parte do modelo de resolução. De fato, a revisão ocorreu diante da dificuldade de aprovação no Congresso e de críticas sobre o uso de dinheiro público sem necessidade de aval legislativo. Além disso, as resistências aumentaram após a repercussão negativa da liquidação do Banco Master, em fevereiro deste ano.

A título de comparação, países desenvolvidos adotaram modelos semelhantes após a crise financeira de 2008. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Dodd-Frank Act estabeleceu regras rígidas para que bancos grandes demais para quebrar (“too big to fail”) não dependessem de socorro público. Da mesma forma, na União Europeia, a diretiva de resolução bancária de 2014 também prioriza o “bail-in”, fazendo com que acionistas e credores arquem com perdas antes de qualquer uso de recursos públicos.

Segundo Haddad, o texto agora está “maduro” e pode avançar no Congresso Nacional. Assim, o ministro afirmou que o governo decidiu suprimir esse trecho porque o projeto prevê outros mecanismos para lidar com situações extremas em bancos, conforme informou a Agência Brasil. Contudo, ele evitou cravar uma data para a aprovação, já que está deixando o cargo.

📊 Número do Dia

2019 — Ano em que o projeto de modernização das regras de intervenção em bancos foi apresentado — sete anos antes de finalmente avançar no Congresso

Por que isso importa

Para o cidadão, a mudança significa que, em caso de crise bancária, o dinheiro dos impostos não será usado automaticamente para salvar bancos privados — ou seja, os próprios investidores e credores arcarão com os prejuízos primeiro. Para o mercado financeiro, por sua vez, o projeto traz mais clareza sobre como o governo lidará com instituições em dificuldade, reduzindo incertezas. Finalmente, para os bancos, a criação de um fundo financiado pelo setor representa um custo adicional, mas também uma rede de proteção que pode evitar crises sistêmicas que prejudiquem todo o sistema.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/fazenda-tira-de-projeto-de-lei-proposta-para-socorrer-bancos-em-crise