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BID quer transformar América Latina em polo industrial de minerais

Ilan Goldfajn propõe que região processe lítio, níquel e terras raras localmente, competindo com domínio chinês
Ilustração mostra estratégia do BID para transformar América Latina em hub industrial de minerais críticos
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, anunciou uma iniciativa para que a América Latina desenvolva indústrias de transformação de minerais críticos, em vez de apenas exportar a matéria-prima bruta. Segundo ele, o setor precisa de segurança jurídica e prazos previsíveis, não de subsídios.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está lançando uma iniciativa para que países da América Latina — incluindo o Brasil — deixem de ser apenas exportadores de minerais brutos e passem a industrializá-los localmente. Dessa forma, o anúncio foi feito por Ilan Goldfajn, presidente do BID e ex-presidente do Banco Central brasileiro, conforme reportado pela CNN Brasil. Além disso, a proposta busca transformar a região em um polo de agregação de valor em minerais críticos, aqueles essenciais para tecnologias modernas como baterias de carros elétricos, painéis solares e chips de computador.

De fato, minerais críticos incluem lítio, cobalto, níquel e terras raras — elementos que o mundo precisa cada vez mais para a transição energética (a mudança de combustíveis fósseis para fontes limpas de energia). A América Latina possui reservas abundantes desses materiais, mas hoje exporta principalmente a matéria-prima sem processamento, perdendo a oportunidade de criar empregos industriais e capturar mais valor econômico. Por exemplo, é como vender café em grão em vez de café torrado e moído: ou seja, o preço e o lucro são muito menores.

Segundo Goldfajn, o principal obstáculo não é a falta de dinheiro público para subsídios, mas sim a ausência de segurança jurídica e prazos previsíveis para investimentos privados. Empresas que planejam construir fábricas de processamento mineral precisam de garantias de que as regras do jogo não mudarão no meio do caminho — algo que historicamente tem sido um problema na região. Em contrapartida, a China domina hoje cerca de 60% do processamento global de minerais críticos, justamente porque ofereceu infraestrutura, regras estáveis e prazos longos para investidores, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Para o Brasil, que possui a segunda maior reserva de níquel do mundo e importantes depósitos de lítio, portanto a iniciativa pode significar uma oportunidade de criar uma indústria de baterias e componentes eletrônicos. Atualmente, o país exporta minério de ferro e outros minerais com pouco processamento, enquanto importa produtos industrializados de maior valor agregado — um padrão que economistas chamam de “reprimarização” da economia.

Impacto para o Brasil

Se bem-sucedida, a iniciativa do BID pode atrair investimentos industriais para o Brasil e outros países latino-americanos, criando empregos qualificados e aumentando a arrecadação tributária. Para o cidadão, isso pode significar mais oportunidades de trabalho em setores de tecnologia e manufatura avançada, em vez de apenas na extração mineral. Da mesma forma, para empresas, representa a chance de participar de cadeias globais de valor em setores de alto crescimento, como veículos elétricos e energia renovável. Por outro lado, para investidores, sinaliza que o BID está disposto a apoiar projetos de infraestrutura e financiamento de longo prazo nessa área, reduzindo assim os riscos.

📊 Número do Dia

60% , Fatia do processamento global de minerais críticos controlada pela China, segundo a Agência Internacional de Energia

Por que isso importa

A proposta do BID pode marcar uma virada estratégica para o Brasil e a América Latina. Assim, em vez de apenas exportar matéria-prima barata, a região teria a chance de capturar mais valor econômico, criar empregos industriais qualificados e participar ativamente da transição energética global. Por conseguinte, para o Brasil, que possui reservas minerais abundantes mas ainda depende fortemente de exportações de commodities, essa é uma oportunidade de diversificar a economia e, finalmente, reduzir a vulnerabilidade a oscilações de preços internacionais.


Fonte original: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/minerais-criticos-precisam-de-seguranca-e-prazo-nao-subsidios-diz-ilan/

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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