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Varejo bate recorde apesar de juros em 15%

Mercado de trabalho aquecido e expansão do crédito sustentam consumo mesmo com Selic no maior patamar em duas décadas
Gráfico mostra crescimento recorde das vendas no varejo com desemprego em 5,4% e Selic a 15% ao ano
As vendas do comércio varejista brasileiro atingiram em janeiro de 2026 o maior patamar já registrado pelo IBGE, crescendo 0,4% em relação a dezembro. O resultado surpreende em um cenário de taxa Selic em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006.

Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE, o desempenho recorde é explicado por dois pilares: o mercado de trabalho aquecido e a expansão do crédito à pessoa física. Dessa forma, a taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro é a menor da série histórica, enquanto o número de ocupados alcançou 102,7 milhões de pessoas. Além disso, a massa salarial atingiu R$ 370,3 bilhões, crescendo 2,9% em relação ao mês anterior.

Por sua vez, o segmento de hiper e supermercados, que representa 55,2% do varejo, também registrou alta de 0,4% e bateu seu recorde histórico. No entanto, o resultado contraria a expectativa de que juros elevados freiem o consumo: por isso, o crédito à pessoa física expandiu 1,6% em janeiro, mesmo com a Selic no maior patamar em quase 20 anos.

A título de comparação, a taxa de desemprego brasileira está significativamente abaixo da média histórica de países emergentes similares. Da mesma forma, na América Latina, Argentina e Colômbia registram taxas superiores a 7%, segundo dados recentes da CEPAL.

Por outro lado, a professora de economia do Ibmec-RJ, Gecilda Esteves, atribui a resiliência do crédito à maior concorrência no setor financeiro. Assim, a proliferação de fintechs e a implementação do Open Finance permitiram melhor análise de risco e maior inclusão bancária. “Com mais oportunidades de oferta, a tendência é que haja uma melhor distribuição desses recursos”, afirmou Esteves à Agência Brasil. Em contrapartida, o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, pondera que, embora o crédito para veículos tenha recuado 6,2%, “o principal elemento do crédito para o comércio é o crédito da pessoa física”.

📊 Número do Dia

5,4% — Taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026, a menor já registrada na série histórica do IBGE

Por que isso importa

Para o cidadão, o cenário representa maior poder de compra e acesso facilitado ao crédito, mesmo com juros altos. Além disso, para empresas do varejo, o momento é de oportunidade, com demanda aquecida sustentada por emprego e renda em alta. Contudo, para investidores, o dado reforça a resiliência da economia brasileira, mas acende alerta: ou seja, consumo forte em ambiente de juros elevados pode pressionar a inflação e, por conseguinte, adiar o ciclo de cortes da Selic, afetando a rentabilidade de ativos de renda variável e o custo de capital das empresas.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/credito-e-emprego-explicam-vendas-no-comercio-em-patamar-recorde

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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