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Ação judicial questiona usinas a carvão em leilão energético

Processo na Justiça Federal alega que termelétricas levam até 8 horas para acionamento, contrariando objetivo de reserva energética
Pessoa lendo jornal com manchete sobre ação judicial questionando usinas de carvão em leilão energético, com monitores financeiros ao fundo mostrando dados econômicos e mapa do Brasil
Uma ação civil pública contesta a inclusão de usinas termelétricas a carvão no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, previsto para 18 de março. O Instituto Internacional Arayara argumenta que essas usinas não possuem flexibilidade operacional necessária e contradizem compromissos climáticos do Brasil.

O Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP) tem como objetivo contratar potência para garantir segurança energética em momentos de pico de demanda, especialmente no início da noite, quando a geração solar diminui. Porém, segundo a ação registrada na 13ª Vara Federal de Brasília, as usinas a carvão não atendem aos requisitos técnicos necessários.

De fato, dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) citados no processo indicam que o tempo de acionamento dessas usinas pode chegar a até oito horas. Por exemplo, a Usina Termelétrica de Figueira, no Paraná, pode levar mais de dez horas adicionais para atingir sua geração máxima. Além disso, a proposta do Ministério de Minas e Energia prevê que as usinas permaneçam ligadas por pelo menos 18 horas consecutivas após o acionamento, o que transformaria a reserva de potência em geração contínua e, por conseguinte, reduziria a produção de fontes renováveis.

A título de comparação, países europeus como Alemanha e Reino Unido têm acelerado o descomissionamento de usinas a carvão, com metas de eliminação completa até 2030 e 2024, respectivamente. Em contrapartida, o movimento brasileiro contrasta com essa tendência global de transição energética. Durante a consulta pública do LRCAP 2026, mais de 20 entidades pediram a exclusão do carvão, contudo, o pedido foi negado em nota técnica do governo.

Ademais, a ação também aponta passivos ambientais significativos: a usina de Figueira, atualmente desativada, acumula passivos estimados em cerca de R$ 1 bilhão. Visto que isso, o instituto argumenta que a contratação contraria o Acordo de Paris e a Lei nº 12.187/2009, que instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima. O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, defende o leilão como medida estratégica para fortalecer a segurança e resiliência do sistema elétrico brasileiro.

📊 Número do Dia

8 horas — Tempo de acionamento das usinas termelétricas a carvão, segundo dados do ONS, inviabilizando resposta rápida a picos de demanda

Por que isso importa

Para o cidadão, a decisão sobre o leilão afeta diretamente a conta de luz e a qualidade ambiental. Ou seja, usinas a carvão tendem a encarecer a energia e aumentar emissões de carbono, enquanto a manutenção de fontes renováveis preserva a matriz energética limpa do Brasil. Da mesma forma, para empresas do setor elétrico, a definição sobre quais fontes participarão do leilão altera estratégias de investimento e planejamento de longo prazo. Portanto, a segurança energética, argumento central do governo, precisa ser equilibrada com compromissos climáticos e eficiência operacional.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/acao-judicial-contesta-usinas-termicas-carvao-em-leilao-de-energia

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