A Tradable, startup focada em tokenização de ativos, planeja trazer US$ 1 bilhão em crédito privado para a blockchain Stellar. Tokenização, para quem não acompanha o tema, é o processo de transformar ativos do mundo real (como títulos de dívida, imóveis ou ações) em tokens digitais que podem ser negociados em blockchains (redes descentralizadas de registro público). É como digitalizar um título de propriedade, mas de forma que qualquer pessoa com acesso à rede possa verificar sua autenticidade e histórico.
Segundo a The Block, a Stellar tem se consolidado como escolha preferencial para tokenização institucional. Gigantes do mercado financeiro como Franklin Templeton e WisdomTree já utilizam a plataforma para projetos similares. A Franklin Templeton, gestora com mais de US$ 1,5 trilhão sob gestão (para comparação, todo o PIB brasileiro em 2023 foi de cerca de US$ 2,1 trilhões), lançou seu fundo tokenizado na Stellar em 2021. A WisdomTree, conhecida por seus ETFs (fundos negociados em bolsa), também adotou a rede para produtos digitais.
Crédito privado refere-se a empréstimos feitos fora do sistema bancário tradicional, geralmente por fundos de investimento a empresas de médio porte. Ao tokenizar esses ativos, a Tradable pretende torná-los mais acessíveis e negociáveis, reduzindo barreiras que hoje limitam esse mercado a grandes investidores institucionais. A analogia é simples: é como transformar um título de dívida que só poderia ser negociado entre bancos em algo que pode circular de forma mais ampla, com registro transparente e custos menores.
Para o investidor brasileiro, o movimento ilustra uma tendência global que ainda engatinha por aqui. Enquanto a tokenização avança rapidamente nos Estados Unidos e Europa, o Brasil ainda debate marcos regulatórios claros para ativos digitais. O Banco Central trabalha no Drex (o real digital), mas a tokenização de ativos privados ainda carece de diretrizes específicas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A título de comparação, os ETFs de criptomoedas negociados na B3 (como HASH11 e QBTC11) representam um primeiro passo nessa direção, mas ainda focam em exposição a moedas digitais, não em ativos reais tokenizados.
A escolha da Stellar não é casual. A blockchain foi desenhada desde o início para transações financeiras rápidas e baratas, com foco em conformidade regulatória. Diferentemente de redes como Ethereum, que nasceram com propósito mais amplo, a Stellar prioriza casos de uso institucionais, o que explica sua adoção por players tradicionais do mercado financeiro.
📊 Número do Dia
US$ 1 bilhão , Volume de ativos de crédito privado que a Tradable planeja tokenizar na blockchain Stellar, conforme reportado pela The Block em julho de 2026.
Por que isso importa
A tokenização de ativos reais representa uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o mundo cripto. Para o investidor brasileiro, acompanhar esses movimentos é essencial: quando (e se) a regulação local avançar, modelos como o da Tradable podem abrir acesso a classes de ativos antes restritas a grandes fundos. Além disso, a consolidação da Stellar como plataforma institucional sinaliza que blockchains especializadas, e não apenas as generalistas, têm espaço no mercado.


