A Securities Transfer Association (STA), entidade que reúne agentes de transferência (intermediários que registram e movimentam ações entre investidores nos Estados Unidos), pediu à SEC que crie regras diferenciadas para a tokenização de ativos financeiros. Segundo reportagem da CoinDesk publicada em 13 de julho de 2026, a associação argumenta que tokens criados por terceiros, sem autorização das empresas emissoras dos ativos originais, representam riscos à integridade do mercado. Tokenização, neste contexto, significa transformar um ativo tradicional (como uma ação ou título de dívida) em um token digital registrado em blockchain (uma espécie de cartório público e descentralizado onde qualquer pessoa pode auditar transações).
A STA defende que apenas a tokenização autorizada pelas próprias empresas deveria receber tratamento regulatório favorável. O argumento central é que tokens emitidos por terceiros, sem vínculo formal com a companhia dona do ativo, podem gerar confusão entre investidores, dificultar a auditoria e abrir brechas para fraudes. Para contextualizar, imagine que alguém criasse um “token Petrobras” sem autorização da estatal: investidores poderiam comprar esse ativo digital achando que estão adquirindo ações reais, quando na verdade estariam comprando uma representação não oficial, sem garantias legais claras.
A posição da STA reflete a tensão crescente entre o mercado financeiro tradicional e o ecossistema cripto. Enquanto empresas de blockchain argumentam que a tokenização aberta democratiza o acesso a ativos e reduz custos de intermediação, agentes estabelecidos temem perder controle sobre o registro e a movimentação de valores. Historicamente, agentes de transferência exercem papel central no sistema financeiro americano, mantendo registros oficiais de quem possui cada ação. A tokenização por terceiros, ao criar registros paralelos em blockchain, desafia esse monopólio.
Para o investidor brasileiro, o debate tem paralelos diretos. A CVM e o Banco Central já discutem regras para tokenização de ativos no Brasil, especialmente no contexto do Drex (a futura moeda digital do Banco Central). A B3, bolsa brasileira, também estuda a emissão de tokens lastreados em ações negociadas no país. Se a SEC adotar a linha defendida pela STA, é provável que reguladores brasileiros considerem abordagem semelhante, privilegiando tokenização oficial e impondo barreiras a tokens criados por terceiros sem autorização das empresas.
A título de comparação com o mercado brasileiro, a situação seria análoga a alguém criar um “token Vale” sem autorização da mineradora: investidores poderiam confundir o token com a ação real (VALE3), gerando riscos de fraude e dificultando a fiscalização. A SEC ainda não se pronunciou sobre o pedido da STA, mas a pressão de um grupo influente de Wall Street sinaliza que a regulação da tokenização nos Estados Unidos pode seguir caminho mais restritivo do que o esperado por entusiastas de blockchain.
📊 Número do Dia
Tokenização autorizada vs. terceiros , Lobby de Wall Street pede à SEC que diferencie tokens oficiais de empresas dos criados por terceiros, alegando risco à integridade do mercado.
Por que isso importa
A posição da STA pode moldar a regulação da tokenização nos Estados Unidos e influenciar diretamente as regras que CVM e Banco Central adotarão no Brasil. Se a SEC privilegiar apenas tokenização autorizada por empresas, projetos de blockchain que criam tokens lastreados em ativos sem aval oficial enfrentarão barreiras regulatórias severas. Para o investidor brasileiro, isso significa que tokens de ações ou títulos negociados fora de ambientes oficiais (como B3 ou plataformas autorizadas) podem se tornar ainda mais arriscados e menos líquidos.
Fonte original: https://www.coindesk.com/policy/2026/07/13/wall-street-transfer-agents-lobby-sec-warning-that-third-party-tokens-pose-risks-to-market-integrity


