A Digital Asset, empresa que constrói trilhos de blockchain para o sistema financeiro tradicional, levantou US$ 355 milhões em rodada de investimento liderada pela Andreessen Horowitz (a16z), conforme reportou a Cointelegraph. A captação avaliou a companhia em US$ 2 bilhões, sinalizando a aposta de fundos de venture capital em infraestrutura que conecta o mundo cripto ao sistema bancário convencional.
A empresa desenvolve a Canton Network, uma rede blockchain (tecnologia de registro distribuído que funciona como um livro-razão compartilhado entre várias instituições) voltada especificamente para bancos e instituições financeiras. Diferentemente de blockchains públicas como Bitcoin ou Ethereum, a Canton Network opera como uma infraestrutura privada, permitindo que bancos testem e implementem aplicações financeiras com maior controle sobre dados e conformidade regulatória. Para contextualizar, é como se fosse uma intranet bancária construída com tecnologia blockchain, em vez de uma internet aberta a todos.
Segundo a Cointelegraph, a rodada estende uma sequência de captações apoiadas por Wall Street, refletindo o interesse crescente de instituições financeiras tradicionais em pilotos de blockchain. Bancos globais vêm testando a plataforma para casos de uso que vão desde liquidação de ativos até contratos inteligentes (programas que executam automaticamente quando condições pré-definidas são cumpridas, sem intermediários). A participação da a16z, um dos maiores fundos de venture capital focados em cripto, reforça a tese de que a infraestrutura blockchain para finanças tradicionais representa uma das fronteiras de crescimento do setor.
O ângulo brasileiro
Para o investidor brasileiro, o movimento ilustra uma tendência que também se manifesta no Brasil. O Banco Central brasileiro desenvolve o Drex, uma plataforma de real digital que também utiliza tecnologia de registro distribuído para conectar instituições financeiras. Embora o Drex seja uma iniciativa pública e a Canton Network seja privada, ambos compartilham o objetivo de modernizar a infraestrutura financeira com blockchain, mantendo controle regulatório. A título de comparação, enquanto a Digital Asset capta centenas de milhões para construir trilhos privados para bancos, o Brasil testa uma solução pública coordenada pelo regulador.
Historicamente, rodadas de investimento dessa magnitude em infraestrutura blockchain institucional precederam ondas de adoção por bancos e fintechs. A avaliação de US$ 2 bilhões coloca a Digital Asset entre as empresas de infraestrutura cripto mais valiosas, em patamar comparável a exchanges regionais de médio porte. Para contextualizar em termos de mercado brasileiro, US$ 2 bilhões equivalem a aproximadamente R$ 10 bilhões (considerando câmbio de R$ 5,00 por dólar), valor próximo ao valor de mercado de algumas fintechs brasileiras listadas na B3.
📊 Número do Dia
US$ 355 milhões , Valor captado pela Digital Asset em rodada liderada pela a16z, avaliando a empresa em US$ 2 bilhões
Por que isso importa
A captação sinaliza que fundos de venture capital seguem apostando em infraestrutura blockchain voltada para o sistema financeiro tradicional, mesmo em meio à volatilidade do mercado cripto. Para o investidor brasileiro, o movimento reforça a tendência de convergência entre finanças tradicionais e tecnologia blockchain, padrão que também se observa no desenvolvimento do Drex pelo Banco Central. A aposta em trilhos privados para bancos sugere que a adoção institucional de blockchain pode avançar por caminhos paralelos às redes públicas, com implicações para regulação e interoperabilidade de sistemas financeiros.












