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DeFi precisa de responsáveis, não só de código

DeFi precisa adotar prestação de contas para atrair investidores institucionais. Análise do dilema entre descentralização e responsabilidade no setor.
Segundo artigo publicado pela CoinDesk em 10 de junho de 2026, o setor de finanças descentralizadas (DeFi) enfrenta um dilema: para crescer e atrair investidores institucionais, precisa deixar de agir apenas como desenvolvedor de software e passar a se comportar como gestor de recursos responsável.

O texto assinado por Ben Nadareski na CoinDesk levanta uma questão central para o futuro das finanças descentralizadas (DeFi, sigla para plataformas financeiras que funcionam sem bancos ou intermediários tradicionais): quem atende o telefone às três da manhã quando algo dá errado? A pergunta pode parecer trivial, mas expõe uma fragilidade estrutural do setor. Enquanto gestores de fundos tradicionais têm equipes de suporte, compliance (conformidade regulatória) e atendimento ao cliente, muitos projetos DeFi operam como softwares de código aberto, sem um responsável claro quando ocorrem falhas técnicas ou perdas de recursos.

Conforme reportou a CoinDesk, para conquistar investidores institucionais (fundos de pensão, gestoras de fortunas, family offices), o DeFi precisa adotar práticas de prestação de contas. Isso significa ter equipes identificáveis, processos de auditoria transparentes e canais de comunicação diretos, algo que vai na contramão da filosofia original de descentralização absoluta. A título de comparação, no mercado brasileiro, gestores de fundos de investimento são obrigados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a manter estruturas de governança, relatórios periódicos e canais de ouvidoria. O DeFi, até agora, opera em grande parte fora desse modelo.

O artigo também menciona que detentores de Bitcoin podem proteger seus ativos e gerar renda por meio de resseguros (uma forma de seguro para seguradoras, adaptada ao universo cripto). Essa estratégia permite que investidores sobrevivam a quedas bruscas de preço ao diversificar fontes de rendimento, em vez de depender apenas da valorização da moeda. Para contextualizar, em termos de mercado brasileiro, seria como um investidor de ações da Petrobras alugar seus papéis no mercado de empréstimo de ativos da B3 para gerar receita adicional, reduzindo a dependência da alta do preço da ação.

Historicamente, o DeFi cresceu sob a promessa de eliminar intermediários e devolver o controle financeiro aos usuários. Porém, conforme dados públicos de mercado, a ausência de responsabilidade clara tem afastado capital institucional, que movimenta trilhões de dólares globalmente. O desafio agora é equilibrar descentralização com accountability (responsabilização), sem perder a essência que tornou o setor atraente.

📊 Número do Dia

3h da manhã , Horário simbólico que representa a ausência de suporte em muitos projetos DeFi quando ocorrem falhas técnicas ou perdas de recursos dos usuários.

Por que isso importa

Para o investidor brasileiro, a discussão é direta: enquanto o DeFi não adotar estruturas de responsabilidade, o risco de perda total de recursos sem recurso legal ou suporte permanece alto. Isso afeta tanto quem investe diretamente em protocolos descentralizados quanto quem considera ETFs de criptomoedas na B3 (como HASH11 ou QBTC11), que podem incluir exposição a DeFi. A maturação do setor depende dessa transição de código anônimo para gestão profissional, algo que pode acelerar a regulação local pelo Banco Central e pela CVM.


Fonte original: https://www.coindesk.com/coindesk-indices/2026/06/10/crypto-long-and-short-who-answers-the-3am-call-when-defi-breaks

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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