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IA empresarial pode impulsionar demanda por stablecoins, diz CEO

CEO da Netomi projeta que mercado de US$ 5 trilhões em IA empresarial impulsionará demanda por stablecoins. Entenda o impacto para o Brasil e o Drex.
Puneet Mehta, CEO da Netomi e ex-engenheiro de Wall Street, afirmou que a expansão acelerada de softwares empresariais baseados em inteligência artificial deve aumentar a demanda por stablecoins (moedas digitais que mantêm valor fixo, geralmente atreladas ao dólar) e pela tecnologia blockchain.

A tese central é que empresas que adotam IA para atendimento ao cliente precisarão de sistemas de pagamento rápidos, baratos e globais, características que stablecoins oferecem. Segundo reportagem da CoinDesk publicada em 10 de junho de 2026, Mehta estima que o mercado de experiência do cliente baseado em IA movimentará US$ 5 trilhões (cerca de R$ 27 trilhões na cotação atual, a título de comparação, quase três vezes o PIB brasileiro de 2023). Esse setor inclui chatbots, assistentes virtuais e sistemas automatizados que empresas usam para interagir com consumidores.

Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor constante, geralmente equivalente a US$ 1, mesmo quando o Bitcoin ou outras moedas digitais oscilam. Funcionam como um real digital que vale sempre o mesmo, mesmo quando o resto do mercado balança. Para contextualizar o mercado brasileiro, stablecoins como USDT e USDC já são amplamente negociadas em exchanges nacionais (Mercado Bitcoin, Binance Brasil), mas seu uso empresarial ainda é incipiente no país. A visão de Mehta é que, conforme empresas globais automatizam atendimento e processam milhões de microtransações (pagamentos pequenos, como gorjetas digitais ou recompensas por interações), a infraestrutura bancária tradicional se torna cara e lenta demais.

Mehta tem histórico em engenharia de dados em Wall Street, o que confere peso técnico à sua análise. Ele argumenta que blockchain (a tecnologia de registro público e descentralizado que sustenta criptomoedas) permite liquidação instantânea e custos de transação próximos a zero, vantagens críticas quando o volume de operações é massivo. Em termos de mercado brasileiro, isso dialoga com a agenda do Drex, o real digital do Banco Central, que também busca reduzir custos e acelerar pagamentos, embora por meio de uma infraestrutura controlada pelo governo, diferente das stablecoins privadas.

Para o investidor brasileiro, a conexão entre IA empresarial e stablecoins ainda é indireta. Não há, até o momento, ETFs de stablecoins na B3 (os fundos disponíveis, como HASH11 e QBTC11, replicam Bitcoin e Ethereum). Porém, o crescimento da demanda corporativa por stablecoins pode fortalecer a infraestrutura cripto global, reduzindo volatilidade e ampliando a aceitação institucional, fatores que historicamente beneficiam todo o ecossistema de ativos digitais.

📊 Número do Dia

US$ 5 trilhões , Tamanho estimado do mercado de experiência do cliente baseado em IA, segundo CEO da Netomi, que pode impulsionar uso de stablecoins.

Por que isso importa

A convergência entre inteligência artificial e pagamentos digitais pode acelerar a adoção de stablecoins por empresas globais, criando demanda institucional robusta. Para o Brasil, isso reforça a relevância do debate sobre Drex e regulação de ativos digitais: se stablecoins privadas ganharem tração corporativa, o Banco Central precisará calibrar regras que equilibrem inovação e controle monetário. Investidores atentos ao setor cripto devem monitorar parcerias entre fintechs de IA e emissores de stablecoins como sinal de maturação do mercado.


Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/06/10/netomi-ceo-says-usd5-trillion-ai-customer-experience-market-could-boost-stablecoin-demand

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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