O Clarity Act é um projeto de lei que busca definir com precisão quando uma criptomoeda deve ser tratada como valor mobiliário (um ativo financeiro regulado, como ações de empresas) e quando não deve. Nos Estados Unidos, essa distinção é crucial: se um ativo digital é classificado como valor mobiliário, ele precisa seguir regras rígidas da SEC (a CVM americana). Se não é, fica sob supervisão mais leve. Segundo a The Block, a carta assinada por mais de 200 empresas e entidades do setor argumenta que a ausência de clareza regulatória prejudica a inovação e a competitividade do país.
A Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos, e a Ripple, empresa por trás da criptomoeda XRP, estão entre os signatários mais proeminentes. Ambas as companhias enfrentaram processos da SEC nos últimos anos justamente por disputas sobre se seus produtos deveriam ser regulados como valores mobiliários. A carta pede que os líderes do Senado avancem com a votação do projeto, que já passou por comissões mas ainda não foi ao plenário para decisão final.
Para contextualizar o cenário brasileiro: aqui, a CVM e o Banco Central também debatem como classificar criptomoedas. A regulação brasileira de ativos virtuais, aprovada em 2022 e em vigor desde meados de 2023, coloca as exchanges (corretoras de cripto) sob supervisão do Banco Central, mas ainda há dúvidas sobre quando um token (uma unidade digital) deve ser tratado como valor mobiliário pela CVM. A pressão das empresas americanas por clareza regulatória reflete um debate global: investidores e empresas querem saber exatamente quais regras seguir, sem surpresas. Em termos de mercado brasileiro, a definição clara de regras nos EUA costuma influenciar a postura de reguladores em outros países, incluindo o Brasil.
Segundo conhecimento de mercado, o Clarity Act propõe critérios objetivos para distinguir criptomoedas descentralizadas (como o Bitcoin, que funciona sem uma empresa controladora) de tokens emitidos por empresas específicas. A ideia é que moedas verdadeiramente descentralizadas não sejam tratadas como valores mobiliários, enquanto tokens vendidos por empresas para financiar projetos continuem sob supervisão da SEC. A carta das 200 organizações argumenta que essa distinção é essencial para que empresas americanas possam competir globalmente sem medo de processos regulatórios imprevisíveis.
📊 Número do Dia
200+ , organizações do setor cripto assinaram carta pedindo votação do Clarity Act no Senado americano, incluindo Coinbase e Ripple
Por que isso importa
A definição de regras claras nos Estados Unidos tem impacto direto no mercado global de criptomoedas, incluindo o Brasil. Investidores brasileiros que compram Bitcoin, Ethereum ou outros ativos em plataformas internacionais dependem da estabilidade regulatória americana. Além disso, a postura da SEC costuma servir de referência para a CVM e o Banco Central na hora de definir como regular tokens e exchanges por aqui. Se o Clarity Act for aprovado, pode acelerar a clareza regulatória em outros países, reduzindo a insegurança jurídica que hoje afasta investidores institucionais e empresas tradicionais do setor cripto.












