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Stablecoin lastreada em Bitcoin perde paridade com o dólar

Stablecoin apxUSD caiu para US$ 0,94 após queda do Bitcoin, expondo risco de usar criptomoedas voláteis como garantia de moedas estáveis.
A stablecoin apxUSD, da Apyx Finance, perdeu sua paridade com o dólar e caiu para US$ 0,94 após o Bitcoin recuar para US$ 63 mil, segundo reportagem publicada pela The Defiant em 5 de junho de 2025. É a primeira quebra de paridade concreta na cadeia que liga o tesouro de Bitcoin da empresa Strategy a instrumentos de dólar em blockchain.

A stablecoin apxUSD, que deveria valer sempre US$ 1, caiu para US$ 0,94 após o Bitcoin recuar para US$ 63 mil. Conforme reportou a The Defiant, este é o primeiro caso concreto de perda de paridade (quando a moeda deixa de valer o que promete) na cadeia que conecta o tesouro de Bitcoin da empresa Strategy a instrumentos de dólar em blockchain. Para entender o problema: stablecoins são criptomoedas desenhadas para valer sempre o mesmo (geralmente US$ 1), funcionando como um real digital que não balança mesmo quando o resto do mercado cai ou sobe. A apxUSD, porém, é lastreada (garantida) por Bitcoin, um ativo altamente volátil.

O modelo da apxUSD depende de colateral em Bitcoin, o que cria um risco estrutural. Quando o Bitcoin cai, o valor da garantia que sustenta a stablecoin também cai. É como ter uma dívida garantida por ações da Petrobras: se as ações despencam, a garantia perde valor e o credor pode exigir mais garantias ou liquidar a posição. No caso da apxUSD, a queda do Bitcoin para US$ 63 mil (em janela temporal não especificada pela fonte, mas reportada em 5 de junho de 2025) foi suficiente para comprometer o mecanismo de paridade. A título de comparação, stablecoins tradicionais como USDC e USDT são lastreadas em dólares reais ou títulos do governo americano, ativos muito menos voláteis.

Para o investidor brasileiro, o episódio reforça a importância de entender o que garante uma stablecoin antes de usá-la. No Brasil, stablecoins são cada vez mais usadas para remessas internacionais, proteção contra a inflação e operações em exchanges (plataformas de negociação de criptomoedas). Segundo conhecimento de mercado, as stablecoins mais negociadas no país (USDT, USDC) são lastreadas em ativos tradicionais, não em criptomoedas voláteis. A apxUSD representa um modelo experimental: usar Bitcoin como garantia para criar dólares digitais. O risco, como ficou evidente, é que a volatilidade do Bitcoin (historicamente, o ativo pode subir ou cair 10% ou mais em um único dia) se transmita à stablecoin, quebrando a promessa de estabilidade.

A quebra de paridade da apxUSD também levanta questões sobre a regulação de stablecoins. No Brasil, o Banco Central está desenvolvendo o Drex (a moeda digital do Banco Central) e discutindo regras para stablecoins privadas. Conforme dados públicos do Banco Central, a autoridade monetária tem sinalizado preocupação com stablecoins que não possuem lastro robusto. O caso da apxUSD ilustra exatamente esse risco: quando o lastro é volátil, a estabilidade prometida pode evaporar em questão de horas.

📊 Número do Dia

US$ 0,94 , Valor para o qual a stablecoin apxUSD caiu, perdendo 6% de sua paridade com o dólar após queda do Bitcoin.

Por que isso importa

A quebra de paridade da apxUSD expõe um risco estrutural de stablecoins lastreadas em ativos voláteis como o Bitcoin. Para o investidor brasileiro, o episódio serve de alerta: nem toda stablecoin é igualmente estável. Antes de usar uma moeda digital como reserva de valor ou meio de pagamento, é essencial entender o que a garante. Stablecoins lastreadas em dólares reais ou títulos públicos tendem a ser mais seguras do que aquelas garantidas por criptomoedas voláteis. Com a regulação de stablecoins avançando no Brasil, casos como este reforçam a necessidade de regras claras sobre lastro e transparência.


Fonte original: https://thedefiant.io/news/defi/apxusd-loses-dollar-peg-bitcoin-slide-strc-backed-collateral

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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