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Revolut planeja banco nos EUA com stablecoins desde o primeiro dia

Revolut planeja lançar banco nos EUA em 2027 com stablecoins integradas desde o início. Entenda o impacto para o mercado cripto e o cenário brasileiro.
A Revolut, neobanco britânico avaliado em US$ 75 bilhões (cerca de R$ 375 bilhões, a título de comparação), planeja lançar um banco nos Estados Unidos em 2027 com serviços de stablecoins (moedas digitais que mantêm valor fixo, geralmente atreladas ao dólar) disponíveis desde o início, segundo reportou The Defiant em 3 de junho de 2026.

A Revolut pretende combinar contas bancárias tradicionais, protegidas pelo seguro federal americano (FDIC), com acesso a stablecoins em uma única plataforma. Segundo The Defiant, a estratégia marca uma mudança de abordagem: em vez de adicionar criptomoedas a um banco já existente, a empresa está desenhando a operação bancária com ativos digitais integrados desde o projeto inicial. Para contextualizar, seria como se o Nubank lançasse operações no exterior já oferecendo, além de conta corrente e cartão, a possibilidade de guardar e movimentar dólares digitais estáveis na mesma interface.

A Revolut já atende 70 milhões de clientes globalmente e possui avaliação de mercado de US$ 75 bilhões, valor superior ao do Itaú Unibanco (que vale cerca de R$ 280 bilhões na B3, conforme dados públicos de mercado). A empresa opera como neobanco (banco digital sem agências físicas) em diversos países, mas ainda não possui licença bancária completa nos Estados Unidos. O lançamento previsto para 2027 representaria a entrada formal no sistema bancário americano, um mercado altamente regulado.

Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor constante, geralmente atreladas ao dólar americano na proporção de 1 para 1. Funcionam como um real digital que vale sempre o mesmo, mesmo quando o resto do mercado de criptomoedas balança. A integração dessas moedas desde o primeiro dia de operação bancária sinaliza que grandes fintechs globais estão tratando ativos digitais não como experimento, mas como parte estrutural de serviços financeiros.

Para o investidor brasileiro, o movimento reforça uma tendência: a fronteira entre bancos tradicionais e serviços cripto está se dissolvendo em mercados desenvolvidos. No Brasil, o Banco Central desenvolve o Drex (real digital) e a CVM regulamenta fundos de criptomoedas negociados na B3 (como HASH11 e QBTC11), mas nenhum banco brasileiro de grande porte oferece hoje acesso direto a stablecoins em contas correntes. A Revolut está apostando que, em 2027, o ambiente regulatório americano permitirá essa integração, algo que ainda não ocorre nem nos EUA nem no Brasil.

📊 Número do Dia

70 milhões , Número de clientes globais da Revolut, base maior que a população inteira da França e equivalente a um terço da população brasileira.

Por que isso importa

A decisão de uma fintech de US$ 75 bilhões de incluir stablecoins desde o lançamento de um banco tradicional indica que ativos digitais estão deixando de ser nicho para se tornarem infraestrutura financeira padrão. Para o Brasil, onde bancos ainda mantêm distância de criptomoedas em contas correntes, o caso Revolut pode servir de referência (ou pressão) para que instituições locais acelerem a integração de ativos digitais, especialmente após a chegada do Drex e a consolidação dos ETFs cripto na B3.


Fonte original: https://thedefiant.io/converge/tradfi-and-fintech/revolut-plans-2027-us-bank-launch-stablecoin-services-day-one

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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