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EUA aprovam primeiro contrato perpétuo de Bitcoin regulado

CFTC aprova primeiro contrato perpétuo de Bitcoin regulado nos EUA. Entenda o impacto para o mercado brasileiro e os riscos de alavancagem em criptomoedas.
A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) aprovou o primeiro contrato perpétuo de Bitcoin em uma bolsa regulada americana, segundo reportou o The Defiant em 29 de maio de 2025. A autorização foi concedida à plataforma Kalshi para seu produto BTCPERP, enquanto a Coinbase recebeu aval para direcionar clientes à sua afiliada offshore Deribit.

A CFTC aprovou o primeiro contrato perpétuo de Bitcoin (BTCPERP) em uma bolsa regulada nos Estados Unidos, um produto que até agora só podia ser negociado em plataformas offshore. Segundo o The Defiant, a autorização foi concedida à Kalshi, uma bolsa de derivativos americana. Em paralelo, a Coinbase obteve permissão para rotear seus clientes à Deribit, sua afiliada sediada fora dos EUA, criando um caminho regulado para que investidores americanos acessem esse tipo de instrumento.

Contratos perpétuos são derivativos (instrumentos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como o Bitcoin) que não têm data de vencimento, ao contrário dos futuros tradicionais. Funcionam como uma aposta contínua no preço do Bitcoin, permitindo alavancagem (tomar emprestado dinheiro da corretora para multiplicar ganhos ou perdas) e ajustes diários de posição. Para contextualizar, imagine um contrato de aluguel que nunca expira e cujo valor é reajustado todo dia conforme o preço do imóvel no mercado. Esse tipo de produto é popular entre traders profissionais, mas carrega risco elevado: a alavancagem pode multiplicar perdas rapidamente, levando à liquidação forçada da posição (quando a corretora fecha automaticamente a aposta do investidor para evitar prejuízo maior).

Até agora, investidores americanos que desejavam operar contratos perpétuos de Bitcoin precisavam recorrer a plataformas não reguladas nos EUA, como Binance, Bybit ou a própria Deribit, sediadas em jurisdições como Malta ou Panamá. A aprovação da CFTC representa uma mudança regulatória significativa, trazendo para dentro do território americano um produto que movimenta bilhões de dólares diariamente no mercado global de criptomoedas. Segundo dados públicos da CoinGecko, o volume diário de contratos perpétuos de Bitcoin em bolsas globais frequentemente supera US$ 50 bilhões (cerca de R$ 250 bilhões, a título de comparação com o volume médio diário da B3, que gira em torno de R$ 20 bilhões).

Para o investidor brasileiro, a notícia tem impacto indireto mas relevante. A regulação americana costuma servir de referência para outros mercados, incluindo o Brasil, onde a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não autorizou produtos de alavancagem em criptomoedas para o varejo. Atualmente, investidores brasileiros que desejam operar contratos perpétuos precisam usar corretoras internacionais, sem a proteção regulatória local. Caso a CVM siga o exemplo da CFTC, produtos similares poderiam chegar à B3 ou a corretoras reguladas no país, ampliando o leque de opções mas também os riscos para o investidor comum. Historicamente, a CVM tem adotado postura mais conservadora que a CFTC em relação a derivativos de criptomoedas, priorizando a proteção do investidor de varejo.

A decisão da CFTC também reflete uma mudança de postura regulatória nos EUA sob a administração atual, que tem sinalizado maior abertura ao mercado cripto. A aprovação do BTCPERP da Kalshi e a autorização para a Coinbase rotear clientes à Deribit indicam que a agência está disposta a trazer para dentro da regulação produtos antes empurrados para fora do país. Isso pode reduzir o uso de plataformas não reguladas por investidores americanos, mas também levanta questões sobre proteção ao consumidor, dado o histórico de perdas expressivas em contratos perpétuos durante períodos de alta volatilidade (como em semana de chuva, quando o preço do tomate na feira pode dobrar ou cair pela metade em poucos dias).

📊 Número do Dia

US$ 50 bilhões , Volume diário aproximado de contratos perpétuos de Bitcoin em bolsas globais, segundo dados públicos da CoinGecko, equivalente a cerca de R$ 250 bilhões (mais de 10 vezes o volume médio diário da B3).

Por que isso importa

A aprovação do primeiro contrato perpétuo de Bitcoin regulado nos EUA pode servir de precedente para outros mercados, incluindo o Brasil, onde a CVM ainda não autorizou produtos de alavancagem em criptomoedas para o varejo. Para o investidor brasileiro, isso significa que produtos similares podem chegar ao mercado local no futuro, ampliando opções de investimento mas também exigindo maior educação financeira sobre os riscos de alavancagem. A decisão da CFTC também sinaliza uma mudança regulatória global, trazendo para dentro da supervisão oficial instrumentos que antes operavam em zona cinzenta, o que pode aumentar a segurança jurídica mas também a exposição do investidor comum a produtos de alto risco.


Fonte original: https://thedefiant.io/news/regulation/cftc-approves-first-us-regulated-bitcoin-perpetual-futures

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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