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Texas abandona ETF e vai guardar Bitcoin direto

Texas migra reserva de US$ 10 milhões de ETF da BlackRock para custódia direta de Bitcoin, sinalizando nova estratégia de governos para ativos digitais.
O Texas está contratando um custodiante de criptomoedas para transferir sua reserva estratégica de Bitcoin, avaliada em US$ 10 milhões, do ETF IBIT da BlackRock para custódia direta das moedas. A mudança representa uma aposta na posse física do ativo digital, em vez de exposição via fundo negociado em bolsa.

O estado do Texas está mudando a forma como guarda sua reserva de Bitcoin. Segundo a Cointelegraph, o governo texano está contratando um custodiante especializado em criptomoedas para migrar os US$ 10 milhões da chamada Reserva Estratégica de Bitcoin, hoje aplicados no ETF IBIT da BlackRock (um fundo negociado em bolsa que replica o preço do Bitcoin), para custódia direta das moedas. Na prática, o estado deixará de ter exposição ao Bitcoin via papel (cotas de um fundo) e passará a deter as moedas digitais em si, guardadas em carteiras digitais próprias (wallets, contas digitais sem banco no meio).

A decisão reflete uma mudança de estratégia sobre como governos podem acumular ativos digitais. ETFs de Bitcoin, como o IBIT da BlackRock ou os fundos brasileiros HASH11 e QBTC11 negociados na B3, funcionam como ações: o investidor compra uma cota que acompanha o preço do Bitcoin, mas não possui as moedas diretamente. Já a custódia direta significa que o estado controlará as chaves criptográficas (senhas digitais) que dão acesso aos Bitcoins, assumindo responsabilidade total pela segurança, mas também ganhando controle absoluto sobre o ativo. É como a diferença entre ter um certificado de ouro e ter as barras de ouro trancadas no seu próprio cofre.

A reportagem da Cointelegraph, publicada em 29 de maio de 2025, indica que o Texas está montando infraestrutura completa para operar Bitcoin em nível estadual. Isso inclui a contratação de um custodiante profissional, empresa especializada em guardar criptomoedas com segurança de nível institucional. A título de comparação, no Brasil, exchanges como Mercado Bitcoin e Foxbit oferecem custódia para clientes, mas governos estaduais ainda não anunciaram reservas próprias de Bitcoin. O Banco Central brasileiro, por sua vez, desenvolve o Drex (real digital), mas trata-se de uma moeda digital de banco central (CBDC), tecnologia diferente do Bitcoin.

O movimento texano pode inspirar outros estados americanos e até governos de outros países a repensar a forma como acumulam reservas digitais. Historicamente, reservas governamentais são mantidas em ouro, dólares ou títulos públicos. Bitcoin, por ser descentralizado (não controlado por nenhum governo ou empresa) e limitado a 21 milhões de unidades, vem sendo discutido como possível ativo de reserva, especialmente por governos que buscam diversificar além do dólar. A custódia direta, porém, exige expertise técnica e segurança robusta, pois a perda das chaves criptográficas significa perda irreversível dos fundos.

📊 Número do Dia

US$ 10 milhões , Valor da reserva de Bitcoin do Texas que será migrada de ETF para custódia direta, em movimento que pode inspirar outros governos a adotar posse física de ativos digitais.

Por que isso importa

A decisão do Texas sinaliza uma tendência de governos buscarem controle direto sobre ativos digitais, em vez de exposição via fundos. Para o investidor brasileiro, a comparação é clara: ETFs como HASH11 oferecem praticidade e liquidez, mas não dão posse das moedas. Custódia própria exige responsabilidade técnica, mas garante controle total. O movimento pode acelerar debates sobre reservas digitais em outros países, incluindo o Brasil, onde o tema ainda não entrou na agenda oficial de estados ou do governo federal.


Fonte original: https://cointelegraph.com/news/texas-plans-shift-bitcoin-reserve-from-etf-to-direct-custody?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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