A sétima maior empresa de assistência funerária mútua da Coreia do Sul está enfrentando um prejuízo contábil de US$ 33 milhões após investir em ETFs alavancados de Ethereum (um tipo de fundo negociado em bolsa que amplifica os ganhos e perdas do preço da criptomoeda). O caso chama atenção porque a empresa utilizou recursos de clientes, depositados originalmente para cobrir futuros serviços funerários, em um produto financeiro de alto risco.
ETFs alavancados funcionam como um acelerador de resultados: quando o ativo sobe, o ganho é multiplicado; quando cai, a perda também é ampliada. No caso do Ethereum, a recente queda do mercado de criptomoedas transformou o que seria uma perda moderada em um rombo de dezenas de milhões de dólares. Para contextualizar, o Ethereum acumula volatilidade significativa em 2025, com oscilações que superam em muito as variações típicas de ações negociadas na B3, como Petrobras ou Vale.
A situação levanta questões sobre governança corporativa e gestão de risco. Empresas de assistência funerária administram recursos de longo prazo, que deveriam estar aplicados em ativos conservadores, não em produtos especulativos de criptomoedas. Segundo a Cointelegraph, a perda ainda não foi realizada (ou seja, a empresa não vendeu os ativos), mas o prejuízo contábil já está registrado nos balanços.
Para o investidor brasileiro, o episódio serve como alerta sobre os riscos de produtos alavancados em criptomoedas. No Brasil, ETFs de criptomoedas negociados na B3, como HASH11 (cesta de criptos) e QBTC11 (Bitcoin), não utilizam alavancagem, o que reduz o risco de perdas amplificadas. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ainda não autorizou a negociação de produtos cripto alavancados para o público de varejo no país, justamente para evitar cenários como o da funerária sul-coreana.
O caso também ilustra um fenômeno global: a entrada de empresas tradicionais, de setores completamente alheios à tecnologia, no mercado de criptomoedas, muitas vezes sem a expertise necessária para avaliar os riscos envolvidos. Historicamente, investimentos institucionais em cripto têm sido feitos por fundos especializados ou tesourarias de empresas de tecnologia, não por operadoras de serviços funerários.
📊 Número do Dia
US$ 33 milhões , Prejuízo não realizado acumulado por funerária sul-coreana em ETFs alavancados de Ethereum, após queda do mercado cripto em 2025.
Por que isso importa
O caso expõe os riscos de produtos cripto alavancados e a falta de governança em empresas tradicionais que entram no mercado de ativos digitais sem preparo. Para o investidor brasileiro, reforça a importância de entender a diferença entre ETFs simples (como os da B3) e produtos alavancados, que amplificam tanto ganhos quanto perdas. Também destaca o papel da regulação local: a CVM ainda não permite alavancagem em produtos cripto de varejo, o que protege o investidor comum de perdas catastróficas como a registrada na Coreia do Sul.


