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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Figure movimenta US$ 1 bilhão em blockchain para mercado de crédito

A Figure, fintech fundada por Mike Cagney, movimentou US$ 1 bilhão em transações de crédito usando blockchain em abril de 2026, segundo reportagem da CoinDesk publicada em 3 de maio. A empresa busca substituir intermediários tradicionais do mercado financeiro por registros diretos em blockchain.

Homem de terno analisando documentos em escritório moderno com laptop exibindo dados financeiros blockchain mercado
Profissional do mercado financeiro trabalha com análise de dados em ambiente corporativo moderno.

A Figure, empresa de tecnologia financeira fundada por Mike Cagney (ex-CEO da SoFi), registrou US$ 1 bilhão em transações de crédito via blockchain em um único mês, conforme reportou a CoinDesk. O volume marca o auge de uma estratégia de anos para levar ativos reais (empréstimos imobiliários, crédito pessoal e até ações) para dentro de blockchains públicas, eliminando bancos intermediários e câmaras de compensação do processo.

A operação funciona assim: em vez de um empréstimo passar por bancos, corretoras e sistemas de registro separados (cada um cobrando taxas e adicionando dias ao processo), a Figure registra tudo diretamente em blockchain. Blockchain, neste contexto, funciona como um cartório digital aberto e automático: qualquer participante autorizado pode verificar quem deve o quê, sem precisar ligar para um banco ou esperar dias por confirmação. A título de comparação, um financiamento imobiliário tradicional no Brasil pode levar semanas entre aprovação, registro em cartório e liberação de recursos. Na proposta da Figure, esse fluxo seria reduzido a horas ou dias, com custos menores.

Segundo a CoinDesk, a Figure já tokenizou (transformou em ativos digitais registrados em blockchain) empréstimos imobiliários, crédito pessoal e até ações de empresas. O modelo é chamado de “ativos reais onchain” (RWA, na sigla em inglês): bens do mundo físico, como uma casa ou um contrato de empréstimo, ganham representação digital em blockchain, permitindo negociação mais rápida e barata. Para contextualizar, o mercado brasileiro de crédito imobiliário movimentou cerca de R$ 200 bilhões em 2025 (dados públicos da Abecip), mas ainda depende de cartórios, bancos e registros em papel ou sistemas fechados.

Mike Cagney fundou a SoFi, uma das maiores fintechs dos Estados Unidos, antes de criar a Figure em 2018. A aposta dele é que Wall Street adotará blockchain como infraestrutura padrão para crédito, ações e outros ativos, da mesma forma que a internet substituiu fax e correio nos anos 1990. A Figure não é uma exchange de criptomoedas: ela usa blockchain como tecnologia de registro e liquidação, mas lida com dólares, empréstimos e ações tradicionais. Em termos de mercado brasileiro, seria como se a B3 (bolsa de valores) e a Cetip (câmara de registro de crédito) fossem substituídas por um sistema público, automático e acessível a qualquer instituição financeira autorizada.

O movimento da Figure se insere numa tendência mais ampla: grandes bancos como JPMorgan e Santander já testam blockchains privadas para liquidação de títulos e câmbio. A diferença é que a Figure aposta em blockchains públicas (onde qualquer um pode auditar as transações, embora apenas participantes autorizados possam operar), enquanto bancos tradicionais preferem redes fechadas. Historicamente, Wall Street resiste a mudanças de infraestrutura (a bolsa de Nova York só abandonou o pregão físico completamente em 2020, por exemplo), mas a pressão por custos menores e velocidade maior tem acelerado testes com blockchain.

📊 Número do Dia

US$ 1 bilhão , Volume movimentado pela Figure em transações de crédito via blockchain em abril de 2026, eliminando intermediários tradicionais do processo.

Por que isso importa

Se a aposta da Figure se consolidar, o mercado de crédito global pode passar por uma transformação parecida com a que a internet trouxe para o varejo: custos menores, processos mais rápidos e menos intermediários. Para o Brasil, onde cartórios, bancos e burocracias encarecem crédito imobiliário e pessoal, a tecnologia pode abrir caminho para financiamentos mais baratos e acessíveis. Mas a adoção depende de regulação (a CVM e o Banco Central ainda estudam como tratar ativos tokenizados) e de confiança das instituições financeiras tradicionais em sistemas públicos e automáticos.


Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/05/03/mike-cagney-s-second-act-turning-blockchain-into-wall-street-s-new-plumbing