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Governo lança Desenrola 2.0 com uso do FGTS

Nova versão do programa permite descontos de até 90% em dívidas de cartão e crediário com recursos da poupança trabalhista
Homem de terno fala ao púlpito cercado por jornalistas e câmeras em sala com bandeiras brasileiras, política econômica
O governo federal deve anunciar esta semana o Desenrola 2.0, programa que permitirá o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para renegociar dívidas. A novidade foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões com banqueiros em São Paulo nesta segunda-feira (27).

O novo programa Desenrola permitirá que trabalhadores usem parte do saldo do FGTS — uma espécie de poupança forçada que o empregador deposita mensalmente em nome do funcionário — para quitar dívidas com descontos que podem chegar a 90%. Segundo o ministro Durigan, haverá um limite para o saque, vinculado ao pagamento das dívidas, mas sem necessariamente cobrir o valor total do débito.

O foco do programa está nas modalidades de crédito mais caras do país: cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC, aqueles empréstimos pessoais oferecidos em lojas) e cheque especial. Essas linhas cobram juros que variam entre 6% e 10% ao mês — o que significa que uma dívida de R$ 10 mil pode virar R$ 11 mil em apenas 30 dias, criando um ciclo difícil de romper para quem ganha um salário médio. A título de comparação, nos Estados Unidos, a taxa média do cartão de crédito gira em torno de 1,5% ao mês, menos de um quarto do patamar brasileiro.

O governo também vai aportar recursos no Fundo Garantidor de Operações (FGO), um mecanismo que funciona como um seguro para os bancos caso os devedores não consigam pagar mesmo após a renegociação. Durigan espera que o programa atinja dezenas de milhões de pessoas, superando os 15 milhões beneficiados na primeira versão do Desenrola, lançada em 2023, que renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas.

O ministro fez questão de ressaltar que o Desenrola 2.0 não será recorrente. “Não se trata de um Refis periódico”, afirmou, referindo-se aos programas de parcelamento de dívidas tributárias que o governo oferece regularmente às empresas. A medida é apresentada como excepcional, justificada pelo cenário de juros elevados — a taxa Selic (o juro básico da economia, usado pelo Banco Central para controlar a inflação) está em patamar historicamente alto — e pelos impactos de crises externas, como conflitos internacionais.

📊 Número do Dia

90% — Desconto máximo esperado nas dívidas renegociadas pelo Desenrola 2.0, segundo o ministro da Fazenda

Por que isso importa

Para o cidadão endividado, o programa representa uma chance concreta de sair do ciclo de juros altos que consome boa parte da renda mensal. Para os bancos, significa reduzir a inadimplência — quando clientes não pagam suas dívidas — que corrói a lucratividade e trava novas concessões de crédito. Para a economia como um todo, famílias com menos dívidas tendem a consumir mais, o que pode impulsionar o crescimento em um momento de desaceleração.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/novo-desenrola-permitira-uso-do-fgts-para-renegociacao-de-dividas

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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