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Confiança do consumidor sobe pelo segundo mês consecutivo

Índice da FGV atinge 89,1 pontos em abril, impulsionado por inflação controlada e mercado de trabalho aquecido
Mulher jovem carregando sacolas coloridas de compras em shopping center, representando consumo e varejo brasileiro
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas subiu 1 ponto percentual em abril, alcançando 89,1 pontos — o mesmo patamar de dezembro de 2025, que havia sido o melhor resultado recente.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas subiu 1 ponto percentual em abril, alcançando 89,1 pontos — o mesmo patamar de dezembro de 2025, que havia sido o melhor resultado recente. O ICC é uma espécie de termômetro que mede o otimismo ou pessimismo das famílias brasileiras em relação à economia: quanto maior o número, mais confiantes estão os consumidores para gastar.

Segundo a economista do Ibre/FGV Anna Carolina Gouveia, a melhora foi puxada principalmente pela percepção mais favorável sobre o momento presente da economia, com destaque para a inflação controlada e o mercado de trabalho robusto. A inflação é o aumento generalizado dos preços — quando ela está controlada, o dinheiro do consumidor rende mais no supermercado e nas contas do mês. Outro fator citado pela economista foi a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até determinado valor, medida que aliviou o orçamento das famílias de menor renda.

O índice é composto por dois subindicadores. O ISA (Índice de Situação Atual), que mede como o consumidor avalia a economia no presente, subiu 2,1 pontos, para 85,3 pontos. Já o IE (Índice de Expectativas), que capta o otimismo em relação ao futuro, avançou apenas 0,2 ponto, chegando a 92,3 pontos. Isso significa que o brasileiro está vendo melhora agora, mas ainda hesita quanto aos próximos meses.

Quem está mais confiante?

A alta da confiança foi mais forte entre os consumidores de menor renda — aqueles que ganham até R$ 2,1 mil por mês. Nesse grupo, o índice subiu 3,4 pontos em abril, após ter avançado 5,4 pontos em março. É como se, para essas famílias, o alívio no bolso tivesse sido mais perceptível: menos pressão da inflação, mercado de trabalho aquecido e, possivelmente, o impacto da isenção do IR. Para comparação, nos Estados Unidos, a confiança do consumidor medida pelo Conference Board também tem oscilado conforme a inflação e o mercado de trabalho — mas lá, o índice está em torno de 100 pontos, patamar considerado neutro.

O indicador que mais impulsionou a alta em abril foi o de situação financeira atual das famílias, que subiu 3,9 pontos. Isso mostra que o brasileiro está sentindo, no dia a dia, que sua condição financeira melhorou — seja porque conseguiu emprego, porque os preços pararam de subir tanto ou porque teve algum alívio fiscal.

O que pode atrapalhar daqui para frente

Anna Carolina Gouveia alertou que a perspectiva para os próximos meses é incerta, principalmente por causa dos impactos da guerra comercial global sobre a inflação brasileira. Se os preços voltarem a subir — por exemplo, por causa do encarecimento de produtos importados ou do dólar mais alto —, a confiança pode cair novamente. Além disso, o endividamento das famílias continua elevado: muitos brasileiros ainda estão pagando dívidas antigas e têm pouco espaço no orçamento para consumir mais.

Segundo a economista, políticas públicas que ajudem o consumidor a renegociar dívidas podem ser decisivas para manter a confiança em alta. Se o governo conseguir aliviar o peso das dívidas, as famílias poderão voltar a consumir de forma mais normal — o que, por sua vez, ajuda a economia a crescer.

📊 Número do Dia

89,1 pontos — Índice de Confiança do Consumidor em abril de 2026, o maior desde dezembro de 2025

Por que isso importa

A confiança do consumidor é um dos principais motores da economia brasileira: quando as famílias se sentem seguras, elas gastam mais, o que estimula a produção, gera empregos e faz a economia crescer. Para o cidadão, a alta do índice sinaliza que o momento é favorável para planejar compras maiores. Para empresas, especialmente do varejo, significa demanda aquecida. Para investidores, é um sinal de que o consumo interno — responsável por cerca de 60% do PIB brasileiro — pode sustentar o crescimento econômico nos próximos trimestres, desde que a inflação e o endividamento não voltem a apertar.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/confianca-do-consumidor-registra-segunda-alta-consecutiva-diz-fgv

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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