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Brasil projeta superávit fiscal de 1,3% do PIB em 2030

Governo propõe ajuste de R$ 187 bilhões até 2030 para reverter déficit e alinhar país a emergentes disciplinados
Executivo apresentando gráficos de crescimento em flipchart com bandeira do Brasil ao fundo, projeções fiscais PIB
O Governo Federal divulgou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, traçando uma trajetória ambiciosa para as contas públicas: sair de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,3% do PIB em 2030.

O Governo Federal apresentou no PLDO 2027 uma projeção fiscal que prevê a União (Governo Federal, INSS e Banco Central) transitando de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,3% do PIB em 2030. O déficit primário ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, sem contar os juros da dívida — é como se uma família gastasse mais do que ganha no mês, precisando usar o cartão de crédito para fechar as contas.

A trajetória proposta representa um ajuste de 1,7 ponto percentual do PIB em quatro anos. Para contextualizar a magnitude desse esforço: em uma economia de aproximadamente R$ 11 trilhões, isso significa encontrar cerca de R$ 187 bilhões em economia ou aumento de receitas até 2030. Segundo dados da Folha de S.Paulo, essa meta fiscal marca o primeiro ano do próximo governo, sinalizando compromisso de longo prazo com o equilíbrio das contas.

O desafio em perspectiva internacional

A título de comparação, países como Chile e Peru mantêm superávits primários próximos a 1% do PIB há anos, enquanto a Argentina, após décadas de desequilíbrio, tenta alcançar superávit pela primeira vez em 2024. O Brasil, que registrou déficits persistentes na última década, busca agora alinhar-se às economias emergentes mais disciplinadas fiscalmente. A diferença é que o país parte de uma dívida bruta próxima a 75% do PIB — patamar elevado para emergentes, onde a média fica abaixo de 60%.

O caminho até 2030 exigirá combinação de controle de despesas obrigatórias (como aposentadorias e salários públicos) e aumento de arrecadação. Historicamente, ajustes fiscais no Brasil esbarram na rigidez orçamentária: cerca de 90% do orçamento federal é de execução obrigatória, restando pouca margem para cortes. Isso explica por que reformas estruturais — como a tributária em curso — tornam-se essenciais para viabilizar a meta.

O que muda na prática

Para o cidadão, o ajuste fiscal bem-sucedido pode significar juros menores no médio prazo. Quando o governo reduz seu déficit, diminui a necessidade de tomar empréstimos, aliviando a pressão sobre a taxa Selic (o juro básico da economia, que influencia desde o financiamento da casa própria até o rendimento da poupança). Para empresas, contas públicas equilibradas reduzem a incerteza e podem atrair investimentos estrangeiros, barateando o crédito. Já para investidores, a trajetória fiscal influencia diretamente o risco-país e o comportamento dos títulos públicos.

📊 Número do Dia

1,7 p.p. — Ajuste fiscal projetado entre 2026 e 2030, saindo de déficit de 0,4% para superávit de 1,3% do PIB

Por que isso importa

O cumprimento dessa trajetória fiscal determinará a credibilidade do Brasil junto a investidores e agências de classificação de risco. Contas públicas equilibradas são pré-requisito para juros menores, inflação controlada e retomada sustentável do crescimento. O desafio é político: exige disciplina orçamentária em anos eleitorais e reformas impopulares. O fracasso pode resultar em rebaixamento da nota de crédito do país, fuga de capitais e pressão inflacionária — cenário que o Brasil conhece bem de crises passadas.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/braulio-borges/2026/04/como-acelerar-o-ajuste-fiscal-brasileiro.shtml

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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