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Risco-país da América Latina fica estável no trimestre

Venezuela registra queda histórica no índice após captura de Maduro, enquanto Argentina vê indicador subir no período
Profissional analisando gráfico do EMBI LATAM Index em monitor, mostrando evolução de 306 bps, mercado financeiro
O índice EMBI da América Latina — que mede o risco de calote dos países — fechou o primeiro trimestre de 2026 em 308 pontos-base, exatamente o mesmo nível do fim de 2025, segundo dados divulgados pelo Rio Times.

O índice EMBI da América Latina — que mede quanto os investidores cobram a mais de juros para emprestar dinheiro aos governos da região, comparado aos títulos seguros dos Estados Unidos — fechou o primeiro trimestre de 2026 em 308 pontos-base, exatamente o mesmo nível do fim de 2025. Cada ponto-base equivale a 0,01% de juros. É como se fosse o “spread” (diferença de taxa) que o banco cobra no cheque especial, mas aplicado a países inteiros.

Enquanto a América Latina ficou parada, o índice global de mercados emergentes subiu 30 pontos, para 261, impulsionado por temores relacionados ao Irã. A estabilidade regional esconde movimentos opostos: a Venezuela viu seu risco despencar pela metade — de cerca de 12.741 para 6.371 pontos — após a captura do presidente Maduro pelos Estados Unidos em janeiro. Do outro lado, a Argentina registrou alta em seu indicador de risco, embora o texto não detalhe os números exatos.

Para entender a dimensão: quando o EMBI de um país está em 300 pontos, significa que os investidores exigem 3% a mais de juros anuais para emprestar a esse governo, em comparação aos títulos americanos (considerados os mais seguros do mundo). A título de comparação, o Brasil historicamente opera com EMBI entre 200 e 400 pontos — níveis considerados moderados para emergentes. Países com índices acima de 1.000 pontos enfrentam dificuldades severas para se financiar no mercado internacional.

A queda venezuelana é extraordinária em termos históricos: sair de 12.741 para 6.371 pontos ainda deixa o país com risco altíssimo (equivalente a 63,71% de juros extras), mas representa uma redução de mais de 6.000 pontos em apenas três meses. Isso reflete a expectativa dos investidores de que uma mudança de regime político possa melhorar a capacidade de pagamento do país, embora o patamar ainda sinalize desconfiança profunda.

Impacto regional

A estabilidade do índice regional em 308 pontos mostra que a América Latina, como bloco, manteve sua percepção de risco inalterada no período — algo relativamente positivo em um trimestre de turbulência global. Para países como o Brasil, que competem por capital estrangeiro na mesma “prateleira” de emergentes latino-americanos, a estabilidade regional ajuda a manter o custo de financiamento externo previsível.

📊 Número do Dia

308 , Pontos-base do EMBI da América Latina no fim do 1º trimestre de 2026 — exatamente igual ao fim de 2025, enquanto mercados emergentes globais subiram 30 pontos

Por que isso importa

Para empresas brasileiras que captam recursos no exterior, a estabilidade do risco-país regional mantém o custo do dinheiro previsível — essencial para planejar investimentos de longo prazo. Para o cidadão, um EMBI estável significa que o governo consegue se financiar sem pressionar ainda mais os juros internos, que já estão elevados. E para investidores, a comparação entre países da região (Venezuela caindo, Argentina subindo) sinaliza onde o mercado vê oportunidades e riscos.


Fonte original: https://www.riotimesonline.com/latam-country-risk-embi-q1-2026/

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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